Made in Turkey quer conquistar fronteiras

Karin Genrich vai visitar a Turquia na qualidade de presidente da Associação de Comércio Berlin-Brandenburg para estabelecer os primeiros contactos com a associação congénere de Bosporus. Como retalhista vai aproveitar esta oportunidade para ver in loco a moda turca. O convite surgiu de forma muito espontânea no segundo congresso de economia turco-alemão, realizado em Berlim, por parte do presidente da Associação Têxtil Turca, Aynur Bektas, também responsável de uma empresa de confecção. «Uma empresa com uma tradição de 20 anos, com 3.000 trabalhadores e um volume de negócios de 150 milhões de dólares», explicou Anyur Bektas, aquando do debate sobre o tema têxtil e vestuário. Ahmet Calik, director executivo da Calik Holding, também defendeu a indústria do seu país, «somos capazes de entregar no prazo de três semanas cada novo modelo em todas as lojas. Isto não acontece em mais nenhum país». A sua empresa conta com a colaboração de 10.000 trabalhadores para produzir 100.000 toneladas de fio de algodão, 40.000 toneladas de malha, 3.000 jeans e 12.000 peças de roupa interior. Kema Sahin, presidente da Sahinler Holding, que há muito viaja entre a Alemanha e a Turquia, incita os seus conterrâneos a instituir a etiqueta “Made in Turkey?”como padrão de qualidade e como forma de penetrar no mercado alemão. «Temos de “implementar” a nossa criatividade com o objectivo de os consumidores estarem predispostos a aceitar um preço mais elevado», afirma Sahin, também presidente da Câmara de Comércio e Indústria Turco-alemã. Os preços na Turquia subiram nos últimos dois anos 20 por cento, de acordo com Marc Voss. O director da Greystone produz desde 1995 sobretudo artigos de malha, tendo no último ano pago por estes 10 euros por peça, mas na Índia o preço é de 5,50 euros, na China de 6, 20 euros e no Bangladesh de 3,30 euros. Uma costureira turca ganha 275 euros o que equivale a receber seis vezes mais do que um trabalhador da China ou do Bangladesh. Esta foi a razão pela qual os turcos perderam cerca de 80 por cento das encomendas da Aldi, Lidl e semelhantes. Os turcos querem colmatar esta diferença com criatividade, flexibilidade e produtividade. «O que no Bangladesh é produzido por cinco costureiras no nosso país é feito por uma», afirma Calik. A indústria têxtil e de vestuário turca investiu no último ano 75 mil milhões de dólares em novas tecnologias. «Grandes clientes alemães afirmam que aqui pagam mais 30 cêntimos, mas ganham mais 50 por cento, porque a qualidade é simplesmente melhor», explica Bektas. Empresas de menor dimensão podem igualmente encomendar em números menores peças de design individual e de materiais de qualidade superior.