Luxo traça trajetória positiva

Para 2026, o banco HSBC prevê um crescimento de até 6% do setor do luxo, numa altura em que o mercado norte-americano lidera a recuperação global e marcas como a Burberry e a Dior dão sinais de reviravolta.

[©Kering]

Segundo a Modaes, o relatório do HSBC analisa oito marcas e grupos do setor do luxo – LVMH, Richemont, Burberry, Prada, Moncler, Hermès, Kering e Swatch – e prevê, para este ano, um crescimento médio entre 4% e 6% no setor.

Apesar das incertezas geopolíticas e económicas, o banco considera que os fatores macroeconómicos «não serão tão prejudiciais como alguns investidores temem», identificando os EUA como «principal motor de crescimento». Ainda que a situação no Médio Oriente esteja a «perturbar o comércio e as viagens», o HSBC”s defende que impacto será limitado e que os mercados «irão melhorar este ano».

O relatório aponta um conjunto de fragilidades que o setor tem vindo a corrigir, nomeadamente a «falta de criatividade» e a subida de preços para compensar o aumento dos custos. A estes fatores soma-se uma intensa rotatividade de presidentes executivos e diretores criativos ao longo do último ano que, segundo o HSBC, é uma instabilidade que deverá «estabilizar» em 2026.

Entre os destaques, o banco prevê «uma aceleração do crescimento das vendas» do grupo francês LVMH, «especialmente na sua divisão chave de moda e artigos de couro, em parte graças ao regresso da Dior».

A Richemont, grupo suíço especializado em relojoaria e joalharia, deverá registar um crescimento de 11% nos próximos trimestres, enquanto a Hermès surge como candidata a um crescimento de dois dígitos, «com vendas provavelmente superiores ao esperado». A Burberry e a Dior surgem no relatório como «marcas que tinham sofrido» e que parecem estar a «evoluir muito melhor».

Sobre o grupo Kering, o banco não espera um grande crescimento da Gucci neste ano, «uma vez que a sua recuperação levará vários trimestres», mas considera que o resto do grupo oferece «melhores perspetivas». Ainda assim, o HSBC estima que «a Gucci poderá ser a próxima a recuperar na segunda metade do ano».

Quanto à Burberry, o relatório reconhece que a sua estratégia de reposicionamento «está a começar a dar resultados», mas avisa que a marca britânica «ainda não chegou ao fim do processo».

O grupo italiano Moncler é destacado pelo banco como tendo um «plano de crescimento sólido e uma estrutura de gestão a longo prazo bem pensada», prevendo que a sua marca principal cresça a um dos ritmos mais elevados do setor, em torno de 10%.

No caso da Prada, o relatório argumenta que as suas ações continuam «provavelmente penalizadas pela sua liquidez limitada, uma vez que estão cotadas em Hong Kong, por preocupações infundadas sobre a aquisição da Versace, receios de uma desaceleração acentuada na Miu Miu e saídas de gestores».

Sobre a Swatch, o banco admite que «poderá haver uma recuperação, embora partindo de margens muito baixas», mas conclui que o grupo «continuará a apresentar resultados abaixo da média».