Luxo estabiliza após abrandamento

O mercado global do luxo atingiu 1,44 biliões de euros em 2025 e deverá estabilizar em 2026, com um crescimento de até 2%, enquanto os bens pessoais de luxo, onde se inclui o vestuário, deverão crescer entre 2% e 4%.

[©Unsplash-Emmanuel Black]

Segundo o estudo “Luxury Goods Worldwide Market Study” da Bain & Company e da Altagamma, o mercado dos bens pessoais de luxo – vestuário, calçado, marroquinaria, joalharia, relojoaria, óculos, fragrâncias e cosméticos – recuou para 358 mil milhões de euros em 2025, menos 2% a taxas de câmbio correntes, mas com crescimento de 1% a taxas de câmbio constantes. Para 2026, a previsão aponta para uma expansão entre 2% e 4%, totalizando entre 365 mil milhões de euros e 373 mil milhões de euros.

A Bain & Company e a Altagamma identificam três cenários, nomeadamente um com 70% de probabilidade atribuído ao cenário de crescimento entre 2% e 4%, assumindo a estabilização no Médio Oriente, despesa local resiliente e recuperação gradual da procura chinesa; um cenário mais otimista, com crescimento entre 4% e 6%, com 20% de probabilidade; o cenário mais pessimista, entre 0% e 2%, tem 10% de probabilidade de se concretizar.

Apesar de o setor dos bens pessoais de luxo ter recuado entre 3% e 5% a taxas de câmbio correntes no primeiro trimestre de 2026, cerca de 60% das empresas deste segmento superaram os resultados do período homólogo do ano passado, num contexto em que «a grande disparidade de desempenho que caracterizou o ano de 2025 está a começar a diminuir». Entre as subcategorias, a joalharia lidera o desempenho, enquanto o vestuário, os óculos e as fragrâncias continuam a apresentar uma evolução positiva.

Já o mercado global do luxo, que inclui também experiências, hotelaria, mobiliário, automóveis e vinhos, deverá atingir entre 1,44 biliões e 1,47 biliões de euros em 2026, o equivalente a um crescimento entre 0% e 2% a taxas de câmbio constantes.

Três velocidades

O documento identifica divergências acentuadas entre regiões. As Américas lideram o crescimento, impulsionadas sobretudo pelos EUA, onde o consumo de luxo aumenta nas categorias de vestuário, joalharia e relojoaria e, em menor grau, de beleza. No primeiro trimestre, as marcas de luxo norte-americanas registaram um crescimento homólogo entre 10% e 15%, sem considerar o efeito cambial. O estudo destaca ainda que os consumidores com menos de 35 anos e os agregados familiares da classe média alta são os principais motores deste crescimento.

Na China, a recuperação prossegue de forma gradual, com as vendas online de produtos de luxo a crescerem entre 25% e 35% no primeiro trimestre e com maior procura por vestuário face à marroquinaria. No Japão, por sua vez, o abrandamento do turismo, particularmente proveniente da China, continua a condicionar o mercado.

Já a Europa permanece como a região mais frágil. Em fevereiro, as despesas dos turistas internacionais caíram cerca de 20%, penalizadas pela redução dos visitantes oriundos do Médio Oriente, cuja base de consumidores de luxo diminuiu entre 15% e 25% no início de 2026. Ainda assim, o estudo assinala sinais de melhoria no segundo trimestre, com os dados de maio a evidenciarem uma aceleração das compras realizadas por turistas norte-americanos, chineses e do Médio Oriente face a abril.

O estudo assinala que cerca de metade dos consumidores de luxo já utiliza inteligência artificial (IA) no processo de compra e quase todos pretendem continuar a fazê-lo. Aproximadamente 25% dos consumidores recorre à IA para a descoberta de marcas e produtos e dois em cada três utilizam-na para comparação de produtos.

«O mercado do luxo está a estabilizar, mas isto não é um regresso ao ritmo anterior, é o surgimento de um novo. Os consumidores não estão a afastar-se do luxo. Estão a avançar para uma nova relação com ele – uma relação definida pelo significado e não apenas pelo produto. As marcas que sairão vencedoras serão aquelas que conseguirem reinventar continuamente a sua relevância e estabelecer uma ligação tanto com os consumidores como com os ecossistemas orientados pela IA», afirma Claudia D’Arpizio, sócia sénior da Bain & Company, líder global da área de moda e luxo da empresa e autora principal do estudo.