Luxo em tons de azul

Existem listas de espera para conseguir uns jeans Beckham. As lojas mais in entre Berlim e Munique recebem telefonemas que questionam qual a data de entrega das novas peças da Acne. Trata-se de jovens clientes que apesar de terem vários pares de jeans no armário continuam a sua procura pela última novidade em jeans. Quanto mais difíceis são de encontrar, mais desejados são. O tema denim de luxo é agora como quente, quente, quente. As revistas de moda nesta Primavera estão sobrelotadas com denim mostrando o modelo indicado para cada tipo de rabo. A edição britânica da Vogue publicou no seu número de Abril um artigo sobre o mercado de jeans premium intitulado Obsession (obsessão). Esta é a palavra correcta para descrever o que se passa com esteouro azulque parece ser adorado para toda a eternidade. O movimento iniciado pela Earl Jeans com um modelo de jeans que emagrecia as utilizadoras nunca mais testemunhou um fim. A história de sucesso do mercado de denim premium parece ser interminável. Esta Primavera é caracterizada pelos jeans justos, tanto para mulheres como para homens. O mercado recebeu um impulso desta nova silhueta mais “magra”, mas também existe uma tendência para um acabamento suave ou denims não lavados em azul-escuro, preto e com nuances cinzentas bastante acentuadas. Com a subida das temperaturas, os tons mais claros, e mesmo o branco, conquistam pontos. As marcas novas podem lucrar com esta última tendência, sobretudo as linhas escandinavas, como se pode observar no caso dos suecos. adeptos de um denim que espelha um look mais clean. Neste país, este nicho de mercado também floresce, sendo o principal representante a marca Acne. No entanto, marcas como J. Lindeberg Jeans, Tiger of Sweden Jeans, Cheap Monday, Dr. Denim Jeans Makers ou Whyred são igualmente bem acolhidas. Os escandinavos têm ainda a vantagem de trazer ao segmento de denim de luxo preços moderados, entre 140 e 150 euros, situando-se assimabaixo do preço médio dos L.A. Jeans cujo preço de venda ao público ultrapassa os 200 euros. Contudo, o preço nunca constituiu um obstáculo às vendas. Os consumidores consideram 229 ou 249 euros um preço muito aceitável. A marca que abriu caminho a esta aceitação foi a 7 for all mankind, que continua a ser extremamente bem sucedida, sendo frequentemente considerada como um “básico”. Os jeans Victoria Beckham, da Rock & Republic, são outro caso de grande potencial. Na maior parte das vezes nem sequer chegam às lojas, porque a lista de espera é muito extensa. Neste caso o preço, 359 euros, é um factor completamente irrelevante. O enorme sucesso de marcas como a 7 for all man kind ou os jeans Beckham demonstram que os jeans há muito deixaram de ser calças usadas por trabalhadores ou cowboys. Os jeans são actualmente um sinal de status e podem ser combinados e usados em todas as alturas, mesmo no caso dos homens. A coroa de brilhantes no bolso traseiro “prova”, supostamente, que o seu utilizador tem algum poder de compra.Masaqui as opiniões dividem-se. Para aqueles que lançam as tendências, o tema 7 for all mankind ou Victoria Beckham é controverso. Muitos afirmam mesmo que estas marcas são demasiado “vulgares”, usadas por qualquer dona de casa que poupa algum dinheiro. Esta é a opinião de clientes que procuram um look mais clean e mais recente e que portanto são mais selectivos na escolha da marca. A marca no bolso traseiro é o elemento distintivo entre o sucesso e a poupança, entre quem lança uma tendência ou quem simplesmente segue tendências. O aparecimento constante de novas marcas constitui um elemento essencial para assegurar a história de sucesso dos jeans de luxo. As pessoas que verdadeiramente estão e gostam de moda procuram sempre algo novo. Nomes como Superfine, April 77, Dondup, Hvana, 1921 e novas colecções como a C.ra.f.t, JBrand, Genetic Denim, Radcliffe Denim, We R Replay e Won Hundred Jeans são responsáveis pela constante renovação do mercado de denim premium. Da mesma forma, marcas tradicionais como a Wrangler com a Blue Bell, Lee com a Gold Label e Levi’s com a Levi’s Blue e Levi’s Engineered Jeans mostram como este segmento traz bons resultados. Os números comprovam este facto: nos EUA os jeans que custam mais de 60 dólares, de acordo com o estudo do grupo NDP, cresceram no último ano cerca de 7 por cento, isto é, mais 1,5 por cento do que em 2004. A tendência aponta para uma nova subida. Marcas como a 7 for all mankind, True Religion e Acne anunciaram uma subida muito significativa dos seus resultados. Não se pode deixar de sublinhar a diferença existente entre homens e mulheres, sendo claro que estas contribuem numa escala muito maior do que os homens para o volume de negócios deste segmento. Em média um homem tem três pares de jeans e a mulher cinco, mas querendo sempre mais. No caso dos comerciantes verifica-se uma tendência para uma menor diversidade na oferta de marcas, privilegiando aquelas que, emregra geral, oferecem bons resultados. A tendência de uma silhueta mais clean e mais magra ainda não está bem implementada e já existe outra em espera: formas mais largas, tal como proposto por Marc Jacobs. A nova forma não vai ser, sem qualquer dúvida, discriminada e terá também longas listas de espera pelo artigo tão “adorado” -luxo em azul.