Luxo aposta na Internet

A indústria do luxo, a braços com uma recessão mundial que ameaçou a continuidade de algumas marcas bem conhecidas, está a apostar nas novas tecnologias como uma forma de sair da crise. Muitas das marcas de moda de luxo permanecem prudentes e expectantes relativamente à Internet. Tal atitude prende-se essencialmente com as batalhas legais em curso relativa à venda de artigos contrafeitos on-line e ao cuidado que estas marcas têm com a sua imagem e posicionamento cujo valor poderá ser diluído ao entrar no mundo das vendas virtuais. Outras marcas de moda, por sua vez, falharam na execução dos seus planos de entrada no comércio electrónico. No entanto, a maior parte dos executivos e especialistas do sector afirma que os comportamentos estão a alterar-se à medida que as marcas percepcionam que a Web constitui uma das últimas fontes de crescimento por explorar. Federico Marchetti, fundador do site de comércio electrónico Yoox.com, que vende a partir de Milão marcas de renome como Valentino, Emilio Pucci e Jil Sander, referiu recentemente que a maioria das marcas abandonou a sua atitude céptica face a este canal de comercialização. Marchetti vai mais longe, referindo mesmo que a atitude actual é a do extremo oposto: entusiasmo. A tentativa de capitalizar com o canal on-line tem-se tornado, nos dias de hoje, um imperativo estratégico e financeiro. Segundo analistas da Bain & Company, as vendas de artigos de luxo on-line deverão cair para os 154 mil milhões de euros em 2009, depois de terem atingido os 170 mil milhões de euros em 2008. Uma das empresas mais em sucedidas no mundo das marcas de luxo on-line é o site britânico Net-à-Porter. Um site sedeado em Londres e que vende artigos de moda de luxo entregues em todo o mundo nas suas luxuosas caixas negras. Esta empresa britânica, apesar de ter vivenciado uma quebra das vendas nos EUA no pico da recessão, conseguiu recuperar desde então e continuar a crescer a um ritmo médio na casa dos dois dígitos em outros mercados. As suas vendas deverão crescer mais de 20% este ano, atingindo os 130 milhões de euros. «Faz todo o sentido permitir que as mulheres comprem quando querem comprar, como querem comprar – no trabalho, em casa ou no quarto», afirma a fundadora do Net-à-Porter Natalie Massenet, referindo-se à ubiquidade dos sites de comércio electrónico. Sucessos como o Net-à-Porter ou o Yoox.com têm vindo a convencer muitas marcas de luxo outrora avessas à Internet. A Hugo Boss, por exemplo, começou a introduzir lojas de comércio electrónico na Europa durante o ano passado. Actualmente, está a acelerar a aposta no mundo virtual, pretendendo abrir sites de comércio electrónico no EUA em 2010 e no continente asiático durante o ano de 2011. Segundo Claus-Dietrich Lahrs, presidente-executivo da empresa, a Hugo Boss planeia vender cerca de 50 milhões de euros on-line no espaço de dois anos. Um valor bastante acima dos 10 milhões realizados o ano passado e que demonstra bem a expectativa que a empresa deposita neste canal.