Luxo adapta-se à recessão

Os retalhistas de luxo estão a ser forçados a reajustar o seu modelo de negócio no meio da crise global, com o sector do retalho de luxo provavelmente a emergir da recessão com uma forma radicalmente diferente. Este aviso surge por entre as previsões de um declínio de 6% nos gastos mundiais com o luxo, para os 211 mil milhões de euros em 2009 – tornando este um dos piores anos de que há registo. Em particular no Japão e nos EUA irão registar-se fortes declínios no crescimento das vendas, de 14,6% e 12,1%, respectivamente. Talvez mais significativo que isso, revela o estudo da empresa de análise do retalho Verdict Research, o abrandamento mundial mudou as atitudes dos consumidores do mercado de massas – travando a expansão do sector do luxo nesta área. «A mudança nas circunstâncias externas demonstrou, mais uma vez, a natureza cíclica do negócio do luxo», afirma Daniel Lutch, analista sénior e autor do relatório “O retalho mundial de luxo 2009”. «Ao contrário do que muitas vezes foi dito, o luxo certamente que não é imune às crises», prossegue. As flutuações cambiais têm também sido um tema fulcral para os players verticalmente integrados do luxo, que produzem na Europa para vender no resto do mundo. O resultado foi a necessidade de aumentar os preços de venda no retalho para compensar as quebras resultantes das depreciações cambiais locais – o que é muito difícil de se fazer, mesmo para um negócio de luxo. Os mercados emergentes, como o Médio Oriente, a Rússia e a emergente ásia, também registaram diminuições nas vendas e as atitudes dos consumidores devem agora reflectir as do Ocidente, onde a ostentação é uma coisa do passado. Para os retalhistas do luxo, o terreno de jogo é agora quase exclusivamente assente nos principais mercados tradicionais, como a UE, os EUA e o Japão. Cortar os custos renegociando rendas, reduzir a publicidade, cortar marcas com fracas performances e abrandar a expansão são formas de transformar o modelo de negócio do luxo, afirma o relatório. Outra resposta táctica é impulsionar agressivamente o crescimento das vendas. «A nova oportunidade reside nos centros comerciais», acrescenta Daniel Lucht. Outros impulsos para as vendas podem andar à volta da diversificação cuidada para novos sectores, como o turismo e o bem-estar, e uma renovada actividade de licenças. E uma outra chave para as perspectivas futuras dos retalhistas de luxo, antecipa ainda o estudo, é a Internet, com o seu vasto alcance e baixos custos.