Lululemon usa poliéster reciclado com enzimas

A marca canadiana de vestuário de desporto juntou-se à empresa australiana de reciclagem Samsara Eco para produzir o que afirmam ser o primeiro produto no mercado feito a partir de poliéster reciclado com tecnologia enzimática.

[©Lululemon]

O processo de despolimerização a baixa temperatura EosEco da Samsara Eco, atualmente a aguardar patente, usa uma combinação de biofísica, química, biologia e ciências da computação, incluindo inteligência artificial, para criar enzimas que degradam plástico, explica a empresa australiana. As matérias-primas resultantes podem depois ser integradas nos atuais processos produtivos para fazer novos artigos.

Com a Lululemon foi desenvolvido o casaco Packable Anorak, que é feito a partir de diferentes tipos de resíduos, incluindo plásticos diversos, vestuário da Lululemon em fim de vida e fibras produzidas a partir da conversão de emissões de dióxido de carbono.

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«Não é possível resolver a crise climática até encontrar uma solução para a crise dos plásticos e acabar com os resíduos na moda é crítico. Mais de 90% dos resíduos da moda tem atualmente um bilhete só de ida para incineração ou aterro. Este trabalho com a Lululemon mostra o potencial de dar ao vestuário uma vida infinita e evitar que os têxteis acabem em aterros», acredita Paul Riley, CEO e fundador da Samsara Eco.

O processo de reciclagem da Samsara Eco pode ser alimentado com diversas misturas têxteis, incluindo poliéster/algodão e poliamida/elastano, assim como diferentes tipos de resíduos, incluindo alcatifas, fechos zip e airbags.

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«Estamos empenhados em manter uma pegada baixa em carbono durante o nosso processo de reciclagem enzimática EosEco. Otimizamos enzimas para reciclar, de forma eficiente, PET, poliéster e poliamida 6.6 a grande escala. Mas há outros plásticos que têm de ser reciclados, incluindo plásticos flexíveis e com misturas. O nosso processo tem o potencial de ser usado nas atuais cadeias de aprovisionamento sectoriais em indústrias como a moda, o automóvel e a eletrónica», acrescenta Paul Riley.

«A nossa visão é escalar estas tecnologias para responder ao problema dos resíduos têxteis ao longo de toda a nossa cadeia de aprovisionamento. Este produto-cápsula é o primeiro passo nesta jornada, ajudando-nos a testar e a aprender à medida que continuamos a avançar na circularidade, gerando possibilidades entusiasmantes para todas as indústrias que estão a tentar mudar para modelos mais circulares», aponta Yogendra Dandapure, vice-presidente de inovação em matérias-primas da Lululemon.