Lucro da H&M sobe, mas vendas continuam sob pressão

A retalhista sueca aumentou o lucro operacional em 23% no terceiro trimestre do exercício de 2026, apesar das vendas terem registado apenas uma ligeira subida em moedas locais e terem caído no principal mercado da Europa Ocidental.

[©H&M]

Entre junho e agosto, as vendas líquidas do grupo sueco atingiram 57,19 mil milhões de coroas suecas (cerca de 5,06 mil milhões de euros), praticamente estáveis face aos 57,02 mil milhões do período homólogo. Em moeda local, aumentaram 1%, apesar de a H&M terminar o trimestre com aproximadamente menos 2% de lojas do que um ano antes. O lucro subiu para 6,04 mil milhões de coroas suecas, beneficiando do controlo de custos, de uma maior eficiência operacional e de um efeito extraordinário relacionado com tarifas nos EUA

«O nosso trabalho, especialmente nas compras, controlo de custos e operações mais eficientes, contribuiu para um negócio mais rentável», afirma Daniel Ervér, CEO da H&M. «Embora as vendas tenham evoluído numa direção positiva durante o trimestre, vemos potencial adicional para aumentar as vendas no futuro», acrescenta.

A pressão sobre as vendas é particularmente visível na Europa Ocidental, onde estas diminuíram 1% no trimestre. Em declarações à Reuters, Daniel Ervér reconheceu que os consumidores neste mercado têm estado sob forte pressão durante um período prolongado, acrescentando que as alterações na logística, incluindo o encerramento de um armazém na Bélgica, também condicionaram as receitas.

O lucro bruto aumentou para 30,87 mil milhões de coroas suecas e a margem bruta passou de 52,9% para 54%. Já a margem operacional subiu de 8,6% para 10,6%.

H&M encurta lead times

A transformação do modelo de aprovisionamento é uma das prioridades. O CEO da H&M revelou à Reuters que o grupo está a tentar aumentar a proporção de vestuário comprado com lead times mais curtos e produzido em fábricas mais próximas dos seus principais mercados. Em determinados casos, a H&M consegue atualmente passar de uma primeira ideia de produto até à chegada ao consumidor em seis semanas. «Quando falamos em encurtar os lead times, trata-se de aumentar a proporção que compramos dessa forma», explicou.

A estratégia complementa o aumento gradual das compras realizadas durante a própria estação anunciado pelo grupo, permitindo ajustar volumes e produto à procura mais recente. A H&M está igualmente a investir na infraestrutura digital para melhorar a precisão desde o desenvolvimento de produto e compras até à alocação de stocks, marketing e vendas.

«Ainda não estamos onde queremos estar, mas, passo a passo, estamos firmemente a construir uma H&M mais rápida, flexível e centrada no cliente», sublinhou Daniel Ervér.

Online ganha dimensão

A reorganização estende-se à rede comercial e logística, com o número de lojas H&M a baixar para cerca de 4.000, o mesmo nível que tinha em 2016 (em 2019 atingiu um pico de mais de 5.000 pontos de venda).

O comércio eletrónico representa já mais de 30% das vendas do grupo, levando a empresa a reforçar também a capacidade logística. A H&M prevê começar a utilizar novos armazéns na Europa este ano e no próximo, procurando aumentar a capacidade e melhorar a disponibilidade de produto.

Nos primeiros nove meses do exercício, as vendas líquidas recuaram para 161,62 mil milhões de coroas suecas, embora em moedas locais tenham permanecido ao nível do ano anterior. O lucro operacional aumentou 12%, para 13,46 mil milhões, elevando a margem operacional de 7,1% para 8,3%.