Lousafil aposta nos têxteis inteligentes

A recente edição da Techtextil foi a melhor das montras para admirar os últimos desenvolvimentos da Lousafil, a única empresa portuguesa especialista na complexa concepção de coletes à prova de bala. Tal como esteve patente na feira de Frankfurt, os exemplos do pioneirismo da empresa são vários e variados: vestuário de trabalho impermeável e de alta visibilidade; coletes à prova de chumbo para caçadores; bonés com protecção contra a radiação ultravioleta; blusões high tech com tecidos laminados e membranas Sympatex ou ainda com placas de protecção e fitas reflectoras; blusões sem costuras, sendo a junção das diferentes partes efectuada por selagem térmica; blusões Kispo com sistema de regulação da temperatura; e luvas 100% anti-fogo em aerogel, o mais leve dos materiais sólidos e com inigualáveis propriedades de isolamento.

 

Deste modo, a Lousafil mostrou que está preparada para produzir qualquer tipo de vestuário exterior, desde o mais básico ao artigo técnico mais inovador, com propriedades como impermeabilidade, respirabilidade, anti-vento, anti-corte, anti-fogo, à prova de calor, á prova de raios solares, anti-chumbo, anti-bala, anti-bacterianos,… «Há ainda em Portugal muita pouca inovação em termos de materiais, apesar de já começarem a aparecer alguns produtos interessantes», declara Carla costa, directora-geral da Lousafil. «Em confecção existe já alguma capacidade mas com muito pouco de concepção».

Esta aposta em produtos de valor acrescentado, associado a um serviço personalizado – com a concepção de soluções à medida – tem permitido à empresa demarcar-se completamente da concorrência sustentada nos baixos custos, em especial vinda do continente asiático.

As parcerias com outras entidades têm também constituído outra das apostas privilegiadas pela empresa sedeada em Lousada, cujo melhor exemplo é a sua contínua colaboração com o Citeve.

A Lousafil foi fundada em 1979 com o objectivo principal de produzir blusões e parkas, no seguimento daquilo que era também a estratégia da vizinha Kispo. «Aliás o aparecimento da  maioria das empresas de confecção que existiam na região foi despoletado pela Kispo», sublinha Carla Costa. Actualmente, a empresa dispõe de um efectivo de 70 pessoas em Portugal e de 15 na sua unidade de produção de Cabo Verde. «Como recorremos muito ao regime de subcontratação, contamos ainda com 6 a 15 empresas que trabalham para a Lousafil praticamente todo o ano», revela a directora-geral.

As exportações para o mercado europeu representam a maior parcela de vendas da Lousafil. Em 2004, o volume de negócios da empresa ascendeu a 5,740 milhões de euros, tendo esse ano ficado especialmente marcado pela renovação da Kispo, com abertura de 2 lojas próprias, a certificação de qualidade da empresa e o início da laboração da fábrica de Cabo Verde. «Com a carga fiscal e a legislação laboral que temos, a deslocalização é inevitável», argumenta Carla Costa.

Actualmente, a Lousafil encontra-se dividida em 4 áreas comerciais distintas: vestuário tipo outdoor para importantes marcas internacionais; vestuário de trabalho, protecção e segurança; pronto-moda para senhora; e a marca Kispo, com lojas próprias. «A distribuição directa é um dos nossos objectivos primordiais», enfatiza a directora-geral. No entanto, para 2005, revela que são também objectivos da empresa «continuar a diversificação de áreas de negócio e de mercados». Entre os próximos desafios da empresa está o desenvolvimento de novas linhas de vestuário de trabalho, como por exemplo para os serviços hospitalares.