Loro Piana de luxo

Tudo começou com o casaco feito para a equipa de equitação italiana para os Jogos Olímpicos de 1992. Até aí, a Loro Piana, que consegue traçar as suas origens até 1812, tinha sido uma empresa têxtil que fazia os comuns cobertores e cachecóis. O sucesso do casaco levou, um ano mais tarde, à “concept store” na Madison Avenue em Nova Iorque; demorou mais seis anos até abrir a primeira verdadeira loja Loro Piana em Milão, em 1999. Nove anos depois, possui 105 lojas em todo o mundo e o negócio de retalho representa 60% do total de vendas. Um salto impressionante para uma empresa que tem feito tecido para as grandes marcas hÁ seis gerações mas que só hÁ uma década atrÁs se aventurou no mundo dos fatos, camisolas e sobretudos. A empresa também lançou recentemente uma linha de tecidos para decoração da casa, que inclui por exemplo tapetes de caxemira e, no mês passado, acrescentou tecidos para forrar mobiliÁrio que combinam caxemira, seda e linho. A entrada no retalho não é tanto uma mudança, é mais uma evolução», revelou o director.executivo da empresa, Sergio Loro Piana, que partilha o cargo com o irmão, Pier Luigi Loro Piana. A nossa marca existia antes de entrar no retalho, só usamos o valor de marca que jÁ tínhamos». E a Loro Piana teve quase dois séculos para construir esse valor. Os documentos mais antigos da empresa remontam a 1812 e estão em nome de Giacomo Loro Piana, o trisavô dos irmãos que hoje regem os destinos da empresa têxtil italiana. Aproveitar a força da marca Loro Piana na entrada para o retalho ajudou a empresa a crescer, apesar da inundação de têxteis baratos da China, índia e outros países em desenvolvimento terem dizimado muitos dos pequenos produtores italianos de tecidos. A entrada no retalho tem sido extraordinÁria e pode ser comprovada quando olhamos para os resultados da empresa», refere Armando Branchini, presidente da empresa de consultoria Milão InterCorporate, que não presta serviço à Loro Piana. Em apenas alguns anos, implementaram um programa efectivo de distribuição e abertura de lojas que criou uma identidade distinta para a marca». As vendas da Loro Piana cresceram 9% em 2007, para os 420 milhões de euros, mesmo sendo prejudicadas pela desvalorização do dólar. As vendas no departamento de artigos de luxo, que inclui todas as actividades de retalho, duplicaram nos últimos quatro anos para os 243 milhões de euros e Pier Luigi Loro Piana, afirma que o crescimento vai ter dois dígitos este ano, com a abertura de mais 15 lojas, incluindo em Pequim, a tempo dos Jogos Olímpicos. A Loro Piana não estÁ cotada na Bolsa e, por isso, não tem de divulgar os seus resultados, apesar de Branchini afirmar que a empresa é lucrativa. HÁ espaço para crescer», considera Pier Luigi Loro Piana. Estamos muito longe do nosso potencial. Mas não vai ver 500 lojas, o que não seria consistente com a exclusividade da nossa marca. Também não vai ver um perfume Loro Piana, óculos ou relógios, porque queremos concentrar-nos no nosso negócio principal – a tecelagem». Enquanto a expansão para o retalho definiu o tempo dos irmãos à cabeça da empresa famíliar, eles continuaram, contudo, a procura obsessiva do seu pai pelas melhores matérias-primas do mundo e, num esforço para manter a sua reputação como principal produtor de tecidos de luxo, vão directamente às fontes: Nova Zelândia e AustrÁlia para a lã, China e Mongólia para a caxemira e Peru para a vicunha. A Loro Piana começou a comprar vicunha no Peru em 1994 e, durante uma década, teve um contrato exclusivo com o governo para adquirir o pêlo deste animal usado para fazer camisolas de 6.000 dólares e casacos que custam três vezes mais. A vicunha, um animal parente dos lamas que vive nas mais altas montanhas dos Andes e cujo pêlo tem sido usado desde o tempo dos Incas, estava perto da extinção quando o governo peruano seleccionou a Loro Piana para reintroduzir o tecido no mercado como forma de dar aos criadores desta espécie animal um incentivo, procurando assim que abandonassem a matança de vicunhas para obter um lucro rÁpido. Uma vicunha adulta produz cerca de 225 gramas de pêlo a cada dois anos, um valor bastante inferior ao das cabras de caxemira (perto de 200 gramas todos os anos) e das ovelhas Merino (3,2 quilos de lã por ano). Na AustrÁlia e na Nova Zelândia, a Loro Piana impulsionou a produção de lã de qualidade superior com uma competição anual para distinguir quem tem a melhor matéria-prima. Na Mongólia, a empresa italiana instalou uma subsidiÁria, em 1997, que constituiu a primeira empresa totalmente detida por estrangeiros no país, com o objectivo de comprar directamente a caxemira aos criadores de cabras. Mas a Loro Piana não é a única empresa que percorre o mundo à procura de materiais – por exemplo, um terço de vicunha que chega agora ao mercado é produzido por outras empresas. Por isso, a empresa estÁ na busca permanente da próxima novidade. A 18 de Fevereiro apresentou um novo tecido baptizado The Wave, uma mistura de lã e seda. A Natureza é difícil de reinventar, mas pode tentar-se encontrar diferentes formas de abordar as mesmas matérias-primas», conclui Sergio Loro Piana.