Voltar a dar ao linho todo o seu carácter nobre. É este, em resumo, o tema dos debates nas reuniões e também nos corredores do 58.º congresso da Confederação Europeia do Linho e do Cânhamo (CELC). No passado mês de Outubro, mais de uma centena de representantes desta organização agro-industrial que agrupa os actores da fileira (desde os produtores agrícolas aos produtores de tecido) de 14 países reuniram-se em França para debater o futuro da sua fibra. Um futuro que passa evidentemente pela inclusão na corrente do desenvolvimento sustentável. Com efeito, o desenvolvimento sustentável e a economia positiva, «isto é, a produção de riqueza mantendo a qualidade ambiental», relembrou Marion Huet, do gabinete de consultores Be Citizen, parece não só uma necessidade ecológica mas também uma verdadeira tendência de consumo. E é aplicável não só ao têxtil mas também a outros domínios (alimentação, construção, etc.). Uma tendência que, segundo Hélène Sarfati-Leduc, chefe do projecto Fibre Citoyenne Yamana, não é apenas uma moda mas uma tendência de fundo, que se «apoia no social, na economia e no ambiente». Do lado têxtil, esta corrente tornou-se um verdadeiro fenómeno, com as peças em algodão biológico e, sobretudo, em bambu a merecerem destaque nas colecções de todos os segmentos de mercado. No caso do bambu, apesar de ser evidente a origem «rapidamente renovável» da matéria-prima, trata-se, mesmo assim, de uma “viscose”, uma fibra artificial. Nesta permanente busca, por parte das cadeias e marcas de têxteis e vestuário, de materiais “amigos do ambiente”, convém lembrar que o linho e o cânhamo são por natureza fibras que respeitam o ambiente. É isso mesmo que a CELC, através da sua filial de promoção Masters of Linen, quer divulgar imediatamente. «O desafio está nesta dupla comunicação B2B (business to business) mas também na B2C (business to consumer)», precisa Marie-Emmanuelle Belzung, a nova secretária-geral da Celc e directora da Masters of Linen, antes de realçar que «ainda é muito cedo para saber que vectores utilizar». Para já, a CELC destaca o aspecto ecológico das suas fibras: «o linho requer cinco vezes menos de tratamentos (pesticidas, fertilizantes) que o algodão e o cânhamo cultiva-se sem qualquer produto fitossanitário e com doses moderadas de azoto». Para ir ainda mais longe, a CELC lançou-se num programa de análise do ciclo de vida de uma camisa de linho para, justamente, medir o seu impacto no ambiente. Os resultados definitivos devem ser conhecidos no final do corrente ano. A confederação pretende ainda posicionar a fibra no segmento da gama alta. Nos últimos anos, devido às importações de produtos acabados ou de tecidos a preços baixos provenientes da China, o linho parece ter-se «banalizado». Uma banalização contra a qual toda a fileira europeia pretende lutar, pois induz uma ideia de produtos de menor qualidade. E os especialistas citam os exemplos de vestuário no circuito do mercado de massas onde o linho é misturado com a ramie sem que isso seja mencionado, ou então fios e tecidos produzidos «certamente» com linho vindo da Europa Ocidental – que se diz ser o melhor – com linhos chineses. Uma constatação quase insustentável para os admiradores do linho. «Há 10 anos, o mercado desenvolveu-se muito na gama baixa», acrescenta Alain Blosseville, presidente da Masters of Linen. «O desafio agora é restaurar a imagem do luxo e de excelência do linho». E este reposicionamento passa pela comunicação, pelo incitamento a produções industriais com mais qualidade provenientes destes países emergentes, prestes a perder o segmento de mercado recentemente conquistado. «O que perderemos em volume no segmento da grande distribuição, por exemplo, ganharemos ao seduzir o luxo e as marcas de gama alta». O círculo está assim fechado. Reafirmando estas características de nobreza e instalando-se primeiramente no mercado da gama média-alta, o linho poderá assim suportar os aumentos dos preços que parecem necessários para a continuação do seu cultivo.










