Liderar tendências

Sustentabilidade, criatividade e inovação são já intrínsecos aos têxteis-lar nacionais, que na mais recente presença na Heimtextil demonstraram, mais uma vez, porque são uma referência a nível mundial.

Mundotêxtil

A árvore produzida a partir de resíduos no stand da Lameirinho logo à entrada do hall 12.1 foi um exemplo ilustrativo da importância que a sustentabilidade tem nos dias de hoje e da forma como as empresas, particularmente as portuguesas, têm integrado o conceito na sua oferta.

«O projeto serve como uma poderosa consciencialização de que a sustentabilidade não é apenas uma escolha: é um imperativo para o futuro. Ao transformar resíduos industriais em arte, a Lameirinho envia uma mensagem clara – uma mensagem que ecoa a crença de que podemos crescer e prosperar de forma sustentável», revela um comunicado da empresa, que na feira mostrou ainda o que chama de “melhor lençol do mundo”, com um cetim 100% algodão de 2.000 fios por polegada quadrada.

Lameirinho [©Messe Frankfurt GmbH-Jean-Luc Valentin]
Lasa [©Messe Frankfurt GmbH-Jean-Luc Valentin]
Um pouco mais ao lado, a Lasa revelou um novo projeto, realizado em parceria com a Nieta Atelier e a Circular Blue, com têxteis-lar produzidos com fios feitos a partir de fibras resultantes de algas infestantes recolhidas no mar dos Açores, assim como de resíduos de redes de pesca. A isso a empresa juntou produtos com fibras derivadas de cogumelos, menta, laranja e aloé vera.

Na Coton Couleur, a sustentabilidade esteve igualmente em destaque, com a empresa a usar Good Earth Cotton, algodão australiano com uma pegada carbónica positiva, graças à regeneração dos solos, que garante a rastreabilidade através da incorporação da tecnologia FibreTrace. A oferta da empresa complementa-se ainda com misturas liocel/algodão e 100% liocel.

«Depois inovamos em produto. Tentamos focar-nos no detalhe e no valor acrescentado, porque é com valor acrescentado que conseguimos competir com os nossos concorrentes, nomeadamente dos países asiáticos», sublinha o CEO Carlos Carvalho. «O sucesso da Coton Couleur nestes anos todos tem a ver exatamente com isso, ou seja, uma forma diferente de estar no mercado. Não só em termos de desenvolvimento, como até em termos de posicionamento», resume.

Também na Mundotêxtil, as questões sustentáveis já estão bem enraizadas. «Desenvolvemos uma coleção focada em cinco temas, sendo que a sustentabilidade está na base de todos eles. Ou seja, todos os nossos desenhos são feitos com pelo menos 50% de algodão reciclado pós-consumo. É uma tendência que temos trazido para a feira de há alguns anos para cá e que temos apresentado aos nossos clientes, mas este ano resolvemos fazer uma aposta mesmo total», indica Ana Vaz Pinheiro, administradora da especialista em felpos, que não descura as tendências. «Como exportamos para 40 mercados, temos de abranger sempre os gostos de todos os países», refere. «No ano passado, as cores eram mais seguras, as pessoas estavam com muito medo de comprar, por isso, os desenhos tinham de garantir a compra. Neste momento, já começamos a sentir que há abertura dos clientes e do mercado para sermos um bocado mais arrojados, daí a explosão de cores. Achamos que vão ser as próximas tendências», justifica Ana Vaz Pinheiro.

Sotegui
Crispim Abreu

Na Têxteis Penedo, as tendências são igualmente importantes, acompanhadas por uma boa dose de inovação. A empresa fez um upgrade à coleção com fio de cortiça que estreou em 2022. «É a primeira vez que se consegue apresentar produto construído com teia e trama. No início, era só trama. Agora, conseguimos já um upgrade para fazer composição teia e trama, com 80% algodão e 20% cortiça», revela Xavier Leite, presidente da Têxteis Penedo. Das novidades faz parte o lançamento de toalhas de banho com fio de cortiça, que logo no primeiro dia da Heimtextil granjeou um cliente italiano. «O conceito foi criado a pensar no mercado hoteleiro, para Spa’s de luxo», aponta. Contudo, assume Xavier Leite, «o uso doméstico também é ótimo – eu próprio estou a utilizá-lo para poder aferir da qualidade do produto e dá uma sensação muito agradável, com absorção e uma espécie de exfoliação ligeira. Por mim está aprovado e estou convencido que o consumidor em geral vai gostar».

Na Sotegui, a diferenciação e uma estética própria fazem parte dos argumentos de venda, a que se somam «novas fibras, novos acabamentos, novas confeções», resume Helena Machado, comercial da empresa, cuja oferta abrange cama, mesa e decoração, como mantas e almofadas. «Este ano começamos a trabalhar com lã virgem e com liocel, começamos a trabalhar também muitas fibras recicladas, que além de serem amigas do ambiente, permitem-nos ter preços mais competitivos», acrescenta.

Na Crispim Abreu, a distinção da malha, aliada a um foco na criatividade, continua a convencer os clientes. «O nosso polar é considerado dos melhores do mundo e, portanto, temos clientes de há 20 ou 30 anos que nos continuam a comprar», afirma Virgínia Abreu, CEO da empresa. «Depois temos os jerseys, que trabalhamos de formas variadas, desde estampados, riscas, jacquards, com aplicações de rendas ou com misturas de tecidos, tintos em peça ou tintos vegetais, coisas mais modernas, porque as pessoas agora querem um conceito completamente diferente nas casas, um conceito mais urbano, em que a roupa de cama dê menos trabalho a cuidar», resume.

As inovações “made in Portugal” foram igualmente apresentadas em duas áreas distintas: no Fórum de Tendências From Portugal e no iTechStyle Green Circle.

iTechStyle Green Circle

No primeiro, que reuniu produtos de várias empresas presentes na Heimtextil, a inteligência artificial misturou-se, de forma praticamente indistinguível, com a tecnologia convencional. «Gostámos sempre de ser um pouco provocativos e este ano a provocação teve a ver com o que é a geração de imagens convencionais e por inteligência artificial», explica Dolores Gouveia, responsável criativa do fórum. «É explorar este espaço entre o real e o virtual, a questão de estarmos em transição para nos adaptarmos a estas tecnologias, que é incontornável, embora na minha opinião não possamos abandonar, de todo, as tecnologias convencionais», acrescenta.

Quanto aos artigos enviados pelas empresas, «nota-se bastante que o cânhamo, como alternativa nas fibras naturais, é uma das apostas de vários expositores», o mesmo acontecendo com «misturas com linho», destaca Dolores Gouveia.

No outro espaço coletivo, o iTechStyle Green Circle reuniu as criações de designers feitas com matérias-primas fornecidas por empresas de têxteis-lar. «A grande preocupação, como sempre, são os produtos sustentáveis, por via do material ou dos processos», aponta Cristina Castro, relações públicas do CITEVE. E numa feira onde as camas, mesas e sofás são a regra geral, a exceção dos manequins com vestuário atrai as atenções. «As pessoas gostam da forma diferente desta apresentação. De repente, veem manequins vestidos com toalhas e outros têxteis-lar e perguntam o que é e acabam por ler o QR Code para terem a informação das empresas envolvidas», acrescenta. «Suscita muita curiosidade», conclui.