Levi’s redesenha estratégia

As flutuações cambiais e a quebra das vendas continuam a atingir a Levi Strauss & Co, mas a gigante americana dos jeans afirma que vai continuar a investir nas suas marcas, apesar de ter registado uma quebra de 41% no lucro do terceiro trimestre. O aumento das vendas mundiais da marca Levi’s, sobretudo nos EUA, foi um ponto positivo num trimestre caracterizado pelo abrandamento nos gastos tanto dos consumidores como dos seus clientes de retalho. «No geral, foi um trimestre produtivo, tendo em conta as difíceis condições do mercado», explicou o presidente e director-executivo da empresa, John Anderson, durante uma reunião com os investidores. «As nossas equipas em todo o mundo estão concentradas nas estratégias que, acreditamos, irão construir as nossas marcas, reforçar a nossa competitividade e levar ao crescimento no futuro. Expandir as operações de retalho e a presença mundial permanecem os pontos chave para a empresa», afirmou Anderson, acrescentando que «vamos também concentrar os nossos investimentos nos mercados geográficos que oferecem um maior potencial de retorno e em inovações líderes de mercado que irão criar produtos fantásticos». A empresa sedeada em São Francisco revelou que o lucro nos três meses até 30 de Agosto caiu dos 69,2 milhões de dólares, registados no mesmo período do ano passado, para os 40,7 milhões de dólares (27,77 milhões de euros). O volume de negócios diminuiu 6,3%, para os 1,04 mil milhões de dólares, embora a uma taxa de câmbio constante, o volume de negócios tenha baixado apenas 2%, segundo a empresa. As margens brutas para o trimestre mantiveram-se praticamente estáveis, nos 47,5%, em comparação com os 47,9% do ano passado. Os custos gerais, com as vendas e administrativos aumentaram 1,8%, para os 396 milhões de dólares, com o custo das novas lojas e aquisições a ser claramente contrabalançado pelos custos mais baixos com a distribuição e publicidade e promoção. As vendas na região da América desceram 5%, devido à contracção da procura das calças casuais de homem da Dockers e dos produtos Signature, sendo, todavia, parcialmente compensados pelo aumento das vendas da marca Levi’s e com os rendimentos adicionais da aquisição de 73 lojas outlet nos EUA. Na Europa, Médio Oriente e Norte de áfrica (região EMEA), as vendas caíram 13% com o impacto dos câmbios monetários – embora registem uma baixa de apenas 2% a taxas de câmbio constantes, revelou a Levi Strauss. Excluindo os efeitos cambiais, o volume de negócios mais baixo foi atribuído à diminuição da procura dos produtos para senhora Red Tab no canal de vendas por grosso, que foi parcialmente equilibrado com o aumento das vendas da rede de retalho da empresa, que se manteve em expansão. «Continuamos o nosso investimento no negócio europeu, com a aquisição no Verão da nossa licenciada para calçado e acessórios, a empresa DC, com a abertura em Setembro da nossa maior loja europeia em Roma e com a compra, na totalidade, da nossa joint-venture na Rússia», referiu Armin Broger, presidente da Levi Strauss EMEA. «Juntas, estas iniciativas permitiram-nos diversificar o nosso negócio, a nossa oferta de produtos e a nossa presença no mercado, e põe-nos numa posição forte para crescer à medida que a economia melhore», prosseguiu. Entretanto, na região da ásia-Pacífico, as promoções aos produtos e a expansão continuada das lojas de retalho, sobretudo na índia e na China, ajudaram a aumentar o volume de negócios em 2%. Contudo, a empresa sublinhou que o Japão registou uma procura mais reduzida no negócio de vendas por grosso, em consequência do abrandamento da economia mundial, e houve uma mudança no comportamento dos consumidores, que preferem retalhistas com preços mais baixos.