Levi’s em recuperação

O cofre à prova de fogo no segundo andar dos escritórios da Levi Strauss & Co em S. Francisco, não contém documentos financeiros nem registos valiosos da história da empresa, mas sim, jeans gastos.Os jeans, com mais de 100 anos e manchados com cera dos candeeiros dos mineiros ou gastos do trabalho no campo, faz recorder uma era quando o denim era sinónimo de Levi’s. Esta era foi antes das marcas rivais e marcas de design atraírem os consumidores para longe do clássico americano, levando a uma queda nas vendas, más performances financeiras e elevadas despesas.

Agora, mantida privada, a Levi’s pode estar a dar uma volta, após a reestruturação global que inclui cortes nos custos, despedimentos e rejuvenescimento dos produtos da empresa com o objectivo de aumentar as vendas, realçado a rentabilidade e reduzindo as suas elevadas dívidas.

«Nós alcançamos os nossos objectivos», afirmou Phil Marineau, director-executivo, acrescentando que «em todos os tipos de preço, oferecemos o melhor produto no mercado».

Esta confiança vem em conjunto com os múltiplos desafios que a Levi Strauss tem enfrentado, incluindo uma carga de débitos pesada, taxas e custos de reestruturação e a constante aparecer de novos concorrentes.

«A concorrência está espalhada e não podem contar mais em concorrer apenas com a 501», afirmou o analista Clark Orsky da KDP Investment Advisors. Isto porque a Levi Strauss tornou-se «mais ágil», tendo o seu negócio global se tornado mais complexo.

A performance foi melhorando. O declínio das vendas foi abrandando – a Levi Strauss antecipou um crescimento das vendas estável para 2005 – e os lucros operacionais melhoraram graças às mudanças nas operações da empresa. A linha de baixo preço da empresa – Signature -, vendida nas cadeias de massa, está a crescer e as vendas na Ásia estão a aumentar. Devido especialmente a este aumento da Ásia, as vendas líquidas do ano fiscal de 2005 aumentaram para 4,13 mil milhões de dólares em comparação com os 4,07 mil milhões registados em 2004, o que reflecte um aumento de um por cento. No entanto, as vendas foram algo prejudicadas devido a uma certa diminuição das vendas na Europa, em relação aos produtos das marcas Levi’s e Dockers. Os resultados líquidos totalizaram 156 mil dólares em comparação com os 30 mil registados no ano anterior, especialmente devido aos elevados resultados operacionais. O director executivo Phil Marineau referiu que «cumprimos os nossos objectivos primários. Melhoramos substancialmente a rentabilidade da empresa depois de oito anos de quedas nas vendas. Os analistas também esperam que a empresa acelere o crescimento através da expansão da sua marca Signature e da sua linha Levi’s, apesar das difíceis condições do retalho na Europa e Estados Unidos. «Mas estamos confiantes pelas perspectivas dadas em relação à inovação e elevada competitividade dos nossos produtos», refere o director-financeiro da empresa Hans Ploos van Amstel.

O ano de 2006 pode ser também o ano para a clarificação dos impostos sobre a performace da Levi Strauss. «Pode demorar muito tempo até que as pessoas sintam que a empresa está estável. Temos percorrido um longo caminho nestes dois últimos anos». A Levi’s registou também vendas no quarto trimestre de 1,16 mil milhões de dólares, mantendo-se estável relativamente aos 0,4 por cento de aumento no mesmo período de 2004. Os resultados líquidos trimestrais totalizaram 44 mil dólares, ou seja, registou-se um aumento em relação aos 19 mil dólares do ano anterior.