Lemar realça versatilidade

A empresa de tecelagem, que consegue, em alguns casos, responder em 24 horas às encomendas, está a reforçar a versatilidade dos seus tecidos, que, além do swimwear, estão a ser usados para fazer blusões ou até trelas para cães.

José António Ferreira

A flexibilidade é apontada por José António Ferreira, diretor comercial da Lemar, como a grande vantagem da empresa e essencial para garantir o seu equilíbrio. «Conseguimos ter uma flexibilidade na resposta que mais ninguém tem. Hoje faz a encomenda e amanhã entregamos», sublinha.

Com 86 anos de atividade, a Lemar adotou esta estratégia com o objetivo adaptar os seus tecidos a produtos além do segmento de swimwear, onde é especializada. Com o mesmo tecido, exemplifica José António Ferreira, a Hugo Boss produz blusões, um hotel sueco faz calções de banho para oferecer aos hóspedes, uma empresa finlandesa fabrica trelas para cães e um cliente da Noruega confeciona chapéus.

Das marcas de luxo às de fast fashion e passando por start-ups, a versatilidade da empresa atrai diferentes tipos de clientes, o que permite também que se ajuste à sazonalidade do swimwear, refere. «Temos conseguido responder a cada cliente e às suas necessidades», realça, adiantando que ter «um stock service» é igualmente um fator importante.

Uma das apostas da Lemar tem sido encontrar novos fios, com múltiplas mais-valias. É o caso do Q-cycle, destaca o diretor comercial, produzido a partir de «uma matéria-prima que não falta», os pneus de automóveis, que descreve como «a maior invenção possível para quem vive a sustentabilidade». Todos os fios em que a empresa investe, como o Sensil BioCare, com características de biodegradabilidade em aterros ou na água do mar, e o Newlife, obtido a partir de garrafas PET, «têm escala para tudo», acrescenta.

Sobre os mercados onde atuam, o europeu é o mais relevante para a Lemar, com França, Espanha e Itália a ocuparem os lugares dos maiores clientes e, numa segunda linha de mercados operacionais, surge o Japão, Suécia, Inglaterra e Alemanha. Direta ou indiretamente, José António Ferreira indica que 90% da produção é para exportação.

O diretor comercial confirma a contração do mercado que se faz sentir e, embora os clientes não deixem de comprar, «um que comprava 1.000 metros, hoje em dia só compra 800». Também há exemplos contrários, assegura. «Também temos clientes, como a marca de calções mais cara do mundo, que são capazes de comprar 70 mil metros e cada ano que passa compram mais», indica.

Apesar de surgir a necessidade de «puxar os clientes» e de se impor uma procura por mais mercados, o diretor comercial revela que a Lemar consegue manter os níveis de vendas. Para 2025, antevê um ano «desafiante, mas estamos preparados para ele», remata José António Ferreira.