A Lemar está a apresentar novos desenvolvimentos orientados para diferentes aplicações, numa estratégia que passa por aumentar a diferenciação do produto e responder a novos segmentos de mercado. «O nosso lema não é esperar que nos venham pedir. Tentamos inovar a todo o custo», afirma Manuela Araújo, CEO da empresa de Guimarães.
Entre as novidades está um tecido com poliamida e lã merino, que «torna o casual um pouco mais chique. Por exemplo, usado num simples anoraque, comparando com uma mistura de poliamida e algodão ou 100% algodão, que também são de muita qualidade, aqui tem a mesma poliamida na teia, mas é tramado a lã», explica.
O desenvolvimento foi apresentado durante este ano em diferentes feiras, incluindo em Itália, Inglaterra, Suécia e França, tendo gerado já procura por amostras. «Houve muita saída de amostras e agora já tenho pessoas a experimentar se a coisa funciona», refere Manuela Araújo. «Isto demora o seu tempo, não é de um dia para o outro, mas tenho fé», sublinha.
Este novo tecido integra uma aposta no conceito de “casual chic”, com a empresa a procurar posicionar a oferta num segmento mais diferenciado, pensado para anoraques, casacos e calças. «Queremos posicionar-nos com um bocadinho mais força, por exemplo, nos anoraques, que gastam mais tecido, mas com um certo chique, distanciando-nos de produtos baratos que se vendem em qualquer supermercado», destaca Manuela Araújo.
O segmento de swimwear continua a representar uma área relevante para a Lemar, com tecidos destinados a «calções, saídas de praia, sacos, mochilas e chapéus». A CEO da empresa indica ainda que «o banho sai muito porque as pessoas gostam muito da originalidade das risquinhas, por exemplo, que são todas feitas por nós e são todas originais».
A diversificação passa igualmente pelos tecidos técnicos. A Lemar trabalha em colaboração com o CITEVE, com quem tem desenvolvido artigos para diferentes aplicações profissionais. «Trabalhamos muito com o CITEVE. Qualquer coisa que haja assim de difícil, normalmente chamam-me», explica Manuela Araújo. Entre os desenvolvimentos realizados estão tecidos para aplicações em «fatos de bombeiro, vestuário de trabalho, equipamentos para apanhar figos-da-índia e ainda coletes para radiografias». Atualmente, a empresa está a desenvolver tecidos para coletes balísticos com o centro tecnológico.
França ganha peso
No plano comercial, França é atualmente o mercado europeu que apresenta melhor desempenho para a empresa. Itália, tradicionalmente um dos principais destinos da produção da Lemar, está a perder peso. «Durante a minha vida inteira, Itália foi o principal mercado. De momento não. Itália está a cair», revela Manuela Araújo. França «é um dos bons mercados», embora também registe alguma redução face ao ano passado. Alemanha e Espanha completam o grupo dos principais mercados europeus, enquanto os EUA continuam a integrar a carteira internacional, com clientes em diferentes regiões do país. «O que eu recomendo realmente nesta altura é o mercado francês, que é o que está ainda a funcionar mais ou menos bem», salienta.
A participação na edição de setembro da Première Vision foi acompanhada por críticas à organização e ambiente da feira. Manuela Araújo considera que o certame está «completamente descaracterizado» e critica a alteração dos pavilhões, as condições para os visitantes e a presença crescente de expositores asiáticos. A CEO da Lemar considera também que as datas escolhidas – 1 a 3 de setembro – dificultam a presença de alguns clientes internacionais, sobretudo depois da Milano Unica, realizada em julho.
Em termos financeiros, a Lemar, que emprega 30 pessoas, encerrou 2025 com um volume de negócios «ligeiramente abaixo» do registado em 2024, totalizando «cerca de seis milhões de euros».












