Legislação francesa para a fast fashion pode mudar o mercado

A penalização de até 10 euros sobre os artigos de fast fashion pode tornar alguns dos principais players de moda barata praticamente invisíveis em França.

[©Unsplash-Manh LE]

A proposta de lei francesa, que pretende acrescentar uma penalização de 5 euros sobre artigos de fast fashion, valor que subirá para 10 euros até 2030, pode ter um impacto dramático no sector do vestuário no país.

A proposta foi aprovada na Assembleia Nacional, mas ainda precisa de passar no Senado antes de ser adotada. «Se for aprovada, pode mudar profundamente o mercado de vestuário de França, tornando-o pouco competitivo», afirma Louise Deglise-Favre, analista de vestuário na GlobalData, citada pelo Just Style.

A lei pretende tornar as marcas de fast fashion menos atrativas para os consumidores franceses ao aumentar o preço dos produtos, para que escolham alternativas mais sustentáveis ou limitem o seu consumo de vestuário.

A decisão sobre que marcas serão afetadas pela taxa será determinada por “classificações eco” pensadas para refletir o impacto de cada produto. Se a lei passar, as marcas serão obrigadas a publicar a sua classificação online e nas lojas.

Contudo, indica Louise Deglise-Favre, «não é claro como serão decididas estas classificações e implementá-las para players como a Shein, que lança milhares de artigos todos os dias, parece muito irrealista, pondo em causa a viabilidade desta lei».

Os fundos angariados por estas taxas deverão ser usadas para tornar o vestuário sustentável mais acessível para os consumidores, embora a analista da GlobalData alerte para a pouca especificidade sobre como tal se irá processar e argumente que estas peças com melhor classificação em termos de pegada ambiental deverão continuar a ter preços mais elevados do que as alternativas da fast fashion.

A lei proíbe ainda a publicidade aos produtos mais baratos, com o objetivo de estimular a indústria a adotar práticas mais sustentáveis. «Isso poderá reduzir a visibilidade, notoriedade e abrangência destas marcas, tornando efetivamente estes players invisíveis no mercado francês e impactando ainda mais as suas vendas», aponta Louise Deglise-Favre.

O Senado francês, contudo, ainda irá analisar a lei e pode fazer emendas ao texto, o que levaria ao recomeço do processo de aprovação, atrasando, consequentemente, a sua adoção.

«Independentemente do resultado, a lei abre uma discussão mais abrangente sobre a responsabilidade dos governos, marcas e consumidores para responder ao impacto ambiental da indústria da moda», realça a analista.

«A proposta também é clara na sua intenção de se tornar um modelo para a regulamentação europeia, indicando que, se for aprovada, irá provavelmente levar outros países a implementar leis semelhantes. Em todos os casos, os players da fast fashion devem assegurar que continuam a melhorar as suas credenciais de sustentabilidade e transparência, já que deverá emergir legislação adicional na Europa no futuro próximo», conclui.