Lanidor invade a America Latina

Depois de ter entrado no mercado espanhol, onde dispõe de uma cadeia de 16 lojas e no mercado brasileiro, onde possui 3 lojas, a Lanidor parte à conquista do mercado mexicano do pronto a vestir feminino. Com efeito, a marca acaba de se instalar em Puebla, graças a um franshising com parceiros locais, e outras novas aberturas de lojas neste país foram já acordadas. Em Portugal, onde opera com 103 lojas, a Lanidor prevê a abertura de mais 13 ao longo deste ano quer no continente, quer nas regiões autónomas. No entanto, para além do aumento da rede comercial de lojas de pronto a vestir feminino, o grupo tem-se preocupado em diversificar o seu leque de actividades. Deste modo, inaugurou nos dois últimos anos 2 restaurantes na zona de Lisboa – LA Caffé – e 18 lojas de roupa de criança – LA Kids. Para 2003, a empresa prevê que estas actividades sejam responsáveis por cerca de 6% do volume de negócios total. Um volume de negócios que ascende a mais de 19,6 milhões de euros e onde já 7,5% corresponde ao mercado externo. Em entrevista ao Jornal Público, Pedro Xavier, administrador da Lanidor, garante que «existem grandes marcas mundiais a vender produtos “made in Portugal”, o que fazem há anos. Nós, portugueses, somos os primeiros a ignorar esta realidade que não é tão pequena quanto isso. Aquilo que deveríamos era primeiro reforçar a ideia entre nós, de que é possível exportar a marca, para que mais produtos de qualidade sejam produzidos». Quanto ao flop da parceria com o grupo Ricon, adianta apenas que «estávamos já numa fase avançada, quando nos apercebemos da existência de alguns pormenores que não casavam entre si e havia, ainda, quem não encarasse o projecto como abrangente. Por tudo isto deixou de haver interesse em concretizar a parceria, até porque o momento económico não era o certo para a Decénio». No entanto, defende que o grupo se deve ligar a um grupo têxtil, de preferência nacional, pois «a ligação a um fornecedor nacional era importante pois hoje já temos falta de capacidade para abastecer a totalidade da rede instalada nos mercados doméstico e externo. E como a Lanidor é portuguesa, isso constitui uma garantia de que uma parte substancial das nossas compras são feitas cá». Esta associação permitiria projectar a marca Lanidor e a marca Lanidor permitiria projectar o “made in Portugal”. Relativamente às prioridades actuais da Lanidor, Pedro Xavier explica que são «consolidar em Portugal, crescer em Espanha, resolver os nossos problemas no Brasil, reequacionando a actividade, arranjando um parceiro local para levar por diante o negócio e, finalmente, avançar para o México já em associação, pois temos acordos com o nosso parceiro para abrir mais lojas». Pedro Xavier acredita que, do ponto de vista económico, a fase de maior desespero já foi ultrapassada e revela ainda que «na época dos saldos vendemos tudo, de tal modo que ficámos sem mercadoria para enviar para o Brasil… Tenho como certo que até meados de 2004 a situação se manterá. A partir daí, até pelo facto de Portugal ir ser um país muito mediatizado pelo Euro 2004, acredito que vamos sair da recessão que hoje se sente». Sobre a política do governo, o administrador da Lanidor espera que o actual governo desenvolva uma verdadeira política de apoio à divulgação das marcas nacionais noutros mercados e salienta que «a Lanidor é um veículo promocional de produtos fabricados em Portugal, dado que parte substancial dos produtos que vendemos são cá fabricados, pelo que levamos produtos nacionais para outros mercados e ajudamos ao desenvolvimento da nossa indústria. E estamos a contribuir para o equilíbrio da nossa balança comercial, que é muito desequilibrada, e para a criação de emprego na área têxtil».