A lã australiana está a ser utilizada numa cortina anti-fogo que pode ser aplicada em janelas e portas de forma a proteger as casas de fogos florestais. A pesquisa foi financiada pelos produtores de lã australianos, através do Australian Wool Innovation (AWI), e utiliza uma mistura de lã e de um retardador de incêndio. A tecnologia foi patenteada por uma empresa situada em Queensland, cujo director, Grant Dybing, refere que o produto será comercializado na Austrália e no mercado externo. De acordo com a CSIRO (Commonwealth Scientific & Industrial Research Organisation), numa situação de fogo em zonas florestais, em cerca de 60% dos casos, o fogo nas casas começa no interior da própria habitação. Esta situação está relacionada com a existência de aplicações de vidro para o exterior, como no caso de portas e janelas. A primeira coisa que actua sobre estes vidros é o calor radiante, que atinge valores muito elevados, podendo partir o vidro ou deslocar-se e incendiar peças de tecido, ou outro material inflamável no interior da habitação. A segunda coisa que ocorre com os vidros é o impacto das brasas que originam no fogo e que atingem o exterior da habitação. Com o objectivo de encontrar uma solução para estas duas causas de incêndio, os investigadores procuraram uma solução para um tecido que fosse capaz de resistir ao impacto das brasas e que fosse capaz de reduzir o calor radiante para o interior da habitação. A investigação resultou num não-tecido fabricado com lã em mistura com um produto retardador do fogo. Devido à utilização de fibras de lã na sua produção, esta solução caracteriza-se por um custo reduzido. De acordo com Grant Dybing, para o nível de desempenho e qualidade que se pretendiam encontrar, a solução poderia passar por um tecido fabricado com fibras sintéticas, cujo custo seria de 140 dólares australianos (85 euros) por metro quadrado, ou um tecido feito de lã com um preço final ao consumidor de 32 dólares australianos (19,44 euros) por metro quadrado. Os cobertores foram testados de acordo com as normas australianas de combate a incêndio, que requerem que o cobertor tolere 10 kW de calor radiante durante 10 minutos. A intensidade do calor equivale à que será de esperar nas circunstâncias reais de aplicação, numa casa sujeita a uma frente de incêndio. Quando o teste foi realizado, o cobertor aguentou os 10 kW de calor radiante durante 30 minutos, ultrapassando os mínimos estabelecidos pelas normas australianas.










