La Redoute: a arte de se adaptar

A história Pertencendo ao Grupo Internacional Redcats, a La Redoute Portugal conta já com 18 anos de existência e uma sólida posição no mercado da Venda à Distância (VAD). Começou a sua história em 1987, associando-se à Europirâmide, empresa local de VAD de equipamento e decoração para o lar, testando um catálogo de 16 páginas e com 60 mil exemplares de tiragem, com artigos têxteis, que foi um sucesso. Em 1988, a La Redoute França fica detentora de 51% da sociedade. Dois anos mais tarde, torna-se a primeira empresa de VAD em Portugal, criando 80 postos de trabalho. De seguida, a La Redoute compra 100% do capital da Europirâmide e lança o catálogo La Redoute Grande (especialista em Tamanhos Grandes). Já nos inícios nos anos 90, mais precisamente em 1993, é considerada pela imprensa como a melhor empresa comercial. Em 1997, o catálogo português retoma integralmente o francês, com excepção para os móveis e electrodomésticos e procede à abertura dos três primeiros Encontros Catálogo e o cartão La Redoute é lançado em 1999. Três anos depois, o ficheiro de moradas conta já com 1,8 milhões de moradas, para 700.000 clientes activos. Em 2004, é lançado o catálogo “Soluções Lar”, dedicado às utilidades domésticas e no ano passado, é lançado o catálogo Anne Weyburn, especializado em Moda Clássica, e o catálogo Interiores, especializado em têxteis-Lar. Os números Segundo dados divulgados por fonte da La Redoute Portugal, a empresa apresenta um volume de negócios de 50 milhões de euros anuais e emprega cerca de 300 pessoas. Os catálogos têm cerca de 160 mil referências. Recebem entre oito a nove mil chamadas diárias na sede de Leiria. A mercadoria chega de França em stock, sendo seleccionada, embalada e expedida posteriormente, sendo enviadas cerca de dois milhões de encomendas por ano. Três em cada quatro portugueses fazem ou já fizeram compras na La Redoute. A forma de venda Em Portugal, a empresa tem dois modos de venda: o catálogo impresso e a venda online, que, segundo fonte interna, «tem sido um sucesso. Aliás, a venda online é uma aposta para o futuro, pois não implica os habituais investimentos em papel, sem esquecer o lado da inovação e o quão prático é utilizar este sistema de encomenda». Além disso, em Leiria, existe uma loja de venda ao público. É uma loja que apenas possui artigos de fim de colecção, stock off da colecção anterior, com preços muito mais baixos que os do catálogo. A concorrência Quanto à concorrência existente em Portugal, a mesma fonte da empresa refere que «a concorrência é saudável. Directamente, temos a Quelle, que pertence a um grupo alemão, funciona com o mesmo método, mas é menor, menos especializada e eventualmente menos conhecida. Temos ainda a 3Suisses, pertença de um grupo franco-alemão, que representa a nossa concorrência directa. Depois temos as lojas que, indirectamente, também nos fazem concorrência. Como o Continente, do Grupo Sonae, o grupo Inditex ou ainda El Corte Inglês». O futuro Em relação às perspectivas do futuro da La Redoute, a empresa pensa que a Internet vai continuar a desenvolver-se fortemente e em Portugal também. La Redoute no mundo Ao longo de meio século, a La Redoute permanece uma empresa essencialmente familiar. A partir de 1922, ano em que se lança no mercado da VAD, a sua história de crescimento caracteriza-se pela sua capacidade de se adaptar às exigências do presente. Em 1922, as consequências da Primeira Guerra Mundial afectam profundamente o Norte da França. O sector têxtil, a principal actividade económica da região vive uma crise sem precedentes. Para a fábrica de fiação da La Redoute, esta crise traduz-se no desaparecimento de importantes mercados em Inglaterra, ou seja elevadas perdas financeiras. Mas logo a La Redoute adapta-se às circunstâncias: através de uns artigos de 4 cm2, lança uma linha de venda de lã para tricotar, directamente aos particulares. Nascia assim a VAD. A La Redoute continua a sua investida, desenvolve técnicas de vanguarda e novas ideias. É assim que em 1929 aparece o primeiro catálogo, com 16 páginas, 40 artigos, todos em tricot. Uma nota: os primeiros catálogos são inteiramente desenhados. É em 1956 que o catálogo alarga a sua oferta a novos produtos. Especializado, até então, no sector têxtil, são introduzidas agora utilidades domésticas, móveis e electrodomésticos, transformando o catálogo da La Redoute numa ”Grande Loja de venda ao domicílio”. Os catálogos evoluem com o aparecimento da fotografia a cores em 1957. A oferta vai crescendo e diversificando-se, mas a empresa investe na conservação do mesmo nível de exigência, expresso através do lema “Antecipar a moda, satisfazer os desejos dos clientes”. A La Redoute é alvo de um rápido crescimento. A empresa acompanha a evolução de uma sociedade em permanente ebulição e cria os primeiros eventos da época ao fotografar artistas franceses: Sylvie Vartan, Sheila, Mireille Mathieu, France Gall, Johnny Hallyday. É também em 1969 que a La Redoute convida, pela primeira vez, um Criador, Emmanuelle Khanh. Em 1966, a revista ELLE mostra pela primeira vez os artigos preferidos do catálogo. Nos anos 80, a La Redoute começa a propor regularmente a conceituados criadores de moda a missão de trabalhar colecções específicas para o catálogo, a exemplo de Marithé e François Girbaud, Popy Moreni e Elisabeth De Senneville. A partir de 1990, é lançado o conceito “Convidado da Estação”, segundo o qual os maiores nomes da moda desenham colecções exclusivas para o catálogo da La Redoute. Não podemos deixar de referir Yves Saint Laurent, Sonia Rykiel, Karl Lagerfeld, Alaïa, Yohji Yamamoto, Yssey Miyake, Jean Paul Gaultier. Também nesta altura, manequins de renome internacional posam para a La Redoute: Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Estelle Lefebure, Linda Evangelista, Laetitia Casta, Elle MacPherson. Nos últimos catálogos, já no novo século, a empresa começa a convidar estrelas do cinema, fotografadas por Dominique Issermann. No cartaz estiveram Emmanuelle Béart, Vanessa Paradis, Emmanuelle Seigner, Isabelle Adjani, Chiara Mastroianni, Laetitia Casta. Entretanto, aposta na democratização da moda e no lançamento de jovens talentos. Desenvolve também as suas próprias marcas, que respondem às necessidades e desejos do cliente, e são cada vez mais moda como por exemplo ”unité la redoute” e ”trend à porter”.Recentemente, a La Redoute tornou a ser notícia. Duas semanas depois do anúncio da insígnia Promod (ver notícia PT), a La Redoute também decidiu abandonar a venda de vestuário de peles, com efeito a partir de 2007, segundo revela a organização de defesa dos animais “Forrure Torture”. Deste modo, o catálogo Outono/Inverno 2006-2007 será o último onde poderemos ver peles verdadeiras pelo líder da venda à distância. Hoje, a La Redoute está presente em França, Bélgica, Portugal, Espanha, Inglaterra, Grécia, Estados Unidos, Áustria, Suíça, Suécia e Noruega. Indirectamente, está ainda em outros países através de agentes, como por exemplo, na Coreia do Sul. No total são 17 países. O catálogo La Redoute comercializa várias marcas internas, nomeadamente a “Unité La Redoute”, a “Laura Clément” ou a “Soft Grey”. A gama “Best” é uma selecção de produtos de grande qualidade. Para além destas, pode-se encontrar no catálogo imensas marcas internacionais, quer na moda feminina, infantil ou masculina, pretendendo ser um catálogo que vista toda a família.