La Mamounia muda de estratégia

A pandemia obrigou a La Mamounia a mudar a essência do negócio e a lançar-se no canal online. A marca de vestuário está ainda a reinventar-se e a redefinir os mercados de expansão, sendo Espanha a primeira paragem do roteiro.

Carolina Costa

Quando lançou a marca, Carolina Costa, e uma amiga que, entretanto, abandonou o projeto, definiu como estratégia da La Mamounia «não fazer stock e fazer é tudo por encomenda. Chegávamos a uma feira, expúnhamos, vendíamos, levávamos as notas de encomenda, depois tínhamos o showroom no Porto e em Lisboa, onde tínhamos diversos retalhistas do país a visitar-nos, colocavam lá as suas encomendas e, portanto, tínhamos um processo produtivo de alguns meses e entregávamos tudo nas lojas», conta ao Portugal Têxtil.

Em março de 2020, quando a pandemia obrigou ao encerramento do comércio, Carolina Costa deparou-se com uma situação complicada. «Estávamos a entregar verão nas lojas e muitas simplesmente não queriam receber as encomendas ou diziam-nos que até podiam receber, mas não sabiam quando teriam dinheiro para as pagar», revela.

Com stock dentro de portas, não teve outra alternativa do que «fazer aquilo que nunca quis fazer» e reestruturou o website para vender a La Mamounia através do canal online. «Felizmente correu bem, também trabalhamos a comunicação junto de uma agência e tivemos a ajuda de muitas influencers. Percebemos que não podemos depender só das lojas e que temos realmente de abrir o leque tanto no online, como no retalho», assegura a fundadora.

Bons ventos e bons casamentos

Com a mudança da essência do negócio, houve também a necessidade reinventar a marca e de redefinir os mercados de expansão. «Temos de perceber exatamente que mercados queremos atingir para conseguirmos fazer coleções apropriadas a esses destinatários», explica.

Espanha foi o ponto de partida da nova estratégia da La Mamounia, que marcou presença na última edição da Momad. «Acho importante termos alguns pontos de venda físicos porque o consumidor procura isso. Ao mesmo tempo, também traz um pouco mais de fiabilidade à marca, as pessoas pensam “esta marca vende no online, mas também trabalha com muitas lojas” e o princípio é esse. Queremos essencialmente crescer a nível do e-commerce por todos os motivos, é mais fácil para nós, tem menos logística e é mais rentável, mas não queremos excluir o retalho físico, queremos continuar a trabalhá-lo», garante Carolina Costa.

Depois da tempestade, começa a chegar a bonança e «2022 tem tudo para correr melhor do que os últimos dois anos, uma vez que o mercado está a fluir normalmente ou quase normalmente, e isso é muito importante para nós», conclui a empresária.