Kering prevê queda dos lucros no primeiro semestre

Face aos resultados do primeiro trimestre, e no seguimento da normalização do crescimento do sector do luxo, o grupo francês, que detém marcas como a Gucci, antecipa uma quebra de 40% a 45% no lucro dos primeiros seis meses do ano.

[©Gucci]

O volume de negócios do Kering caiu 11% no primeiro trimestre de 2024, equivalente a uma descida de 10% nas vendas comparáveis, para 4,5 mil milhões de euros, um valor já previsto nas expectativas anunciadas no mês passado. Segundo o grupo francês, os números refletem um efeito cambial negativo de 3%.

As vendas no retalho operado diretamente baixaram 11% em termos comparáveis, devido a uma redução do tráfego nas lojas. «As tendências na Europa Ocidental, na América do Norte e no Japão estiveram em linha com as do quarto trimestre de 2023, enquanto um declínio mais acentuado foi registado na Ásia-Pacífico», refere o grupo.

«O desempenho do Kering piorou consideravelmente no primeiro trimestre. Embora tivéssemos previsto um início de ano desafiante, as condições de mercado lentas, nomeadamente na China, e o reposicionamento estratégico de algumas das nossas casas de moda, a começar pela Gucci, exacerbaram as pressões descendentes», afirma François-Henri Pinault, presidente do conselho de administração e CEO do Kering.

Em termos de marcas, a Gucci baixou as vendas em 21%, ou 18% em termos comparáveis, para 2,1 mil milhões de euros, enquanto na Yves Saint Laurent a descida foi de 6% em termos comparáveis, para 740 milhões de euros. «O volume de negócios da rede de retalho operada diretamente foi resiliente (-4% em termos comparáveis) graças a um forte crescimento no Japão, uma melhoria sequencial na América do Norte e um volume de negócios relativamente estável na Europa Ocidental», descreve o Kering.

A Bottega Veneta baixou em 2% as vendas no primeiro trimestre, para 388 milhões de euros, mas o valor representa um crescimento de 2% em termos comparáveis.

Face a estes resultados, e tendo em conta o ambiente geral, com a continuação da incerteza económica e geopolítica, a que se junta um contexto de normalização em curso do crescimento do sector do luxo, «o impacto da estratégia de investimento da Kering pesará nos resultados operacionais recorrentes do grupo (com base no perímetro de consolidação e nas taxas de câmbio a 31 de dezembro de 2023), que deverão registar uma descida em comparação com o nível reportado em 2023, particularmente no primeiro semestre do ano», justifica.

O Kering antecipa agora uma queda de 40% a 45% dos resultados operacionais recorrentes no primeiro semestre de 2024 face ao período homólogo de 2023.

«Tendo em conta esta diminuição das receitas, juntamente com a nossa firme determinação em continuar a investir seletivamente na atratividade e diferenciação a longo prazo das nossas marcas, esperamos agora obter lucros operacionais significativamente mais baixos no primeiro semestre deste ano. Todos nós estamos a trabalhar incansavelmente para ajudar o Kering a superar os desafios atuais e reconstruir uma plataforma sólida para um crescimento duradouro», resume François-Henri Pinault.