Kering investe em novos materiais

O conglomerado francês de luxo está a financiar a start-up italiana Sqim, especialista em micélio, e fez uma parceria com a Spiber para criar produtos têxteis com tecnologias de fermentação.

Goldwin x Spiber [©Spiber]

O Kering faz parte das empresas que investiram 11 milhões de euros na Sqim, que com este financiamento pretende escalar a sua tecnologia à base de micélio.

A Sqim revelou que vai usar o investimento para lançar uma unidade produtiva de demonstração, expandir a equipa e aumentar a investigação e desenvolvimento de produtos de micélio para os mercados da moda e automóvel.

«A equipa da Sqim tem trabalhado muito nos últimos anos com a missão de provar que a inovação, a sustentabilidade e a industrialização não só podem coexistir, como até oferecer valor acrescentado a diferentes indústrias quando isso é feito de forma adequada», sublinha Stefano Babbini, CEO e cofundador da empresa.

«Este financiamento bem sucedido é uma validação do potencial das nossas tecnologias inovadoras e dos nossos materiais e produtos de nova geração. Será um catalisador para acelerar mais, e mais rapidamente, o nosso crescimento, ao mesmo tempo que impulsiona os nossos esforços de I&D», acrescenta Maurizio Montalti, diretor de micélio e cofundador da Sqim.

Já no caso da japonesa Spiber, o Kering, através do seu laboratório de inovação de materiais, juntou-se à Johnstons of Elgin, à Eilen Fisher e à DyStar, assim como à Goldwin e à Pangaia, num projeto que tem por objetivo criar um sistema para fazer produtos têxteis completamente circulares usando tecnologia de fermentação para transformar resíduos têxteis biodegradáveis em novos materiais.

Sqim [©Sqim]
«Para conseguir uma indústria têxtil mais circular, são necessárias abordagem multinível distintas, assim como validar e lançar diferentes soluções. O projeto de circulação bioesfera é uma iniciativa ambiciosa e desafiante que abre um novo caminho para a reciclagem têxteis. De um último recurso, a reciclagem passou a uma nova alternativa promissora para materiais têxteis não usáveis», sublinha Christian Tubito, diretor do laboratório de inovação de materiais do Kering.

As marcas vão apoiar a Spiber de diferentes formas, incluindo através do fornecimento de amostras com determinadas fibras e químicos para testes à escala laboratorial, que irão permitir a recolha de dados para determinar como é que diferentes especificações afetam a conversão de materiais à base de celulose e proteínas em nutrientes que possam ser usados no processo de fermentação, como açúcares e aminoácidos. A Spiber pretende compilar os resultados desses testes numa base de dados que irá indicar a eficiência dos diferentes materiais em combinação com os químicos usados para servir de referência para as empresas na seleção das matérias-primas para a circularidade.