João Pereira Guimarães caminha para a automatização

A especialista em malhas ketten tem em curso um projeto-piloto para melhorar os processos e a tecnologia que tem internamente com o objetivo de aumentar a eficiência da produção e colmatar a escassez de mão de obra.

Carolina Guimarães

O projeto-piloto, desenvolvido internamente desde março de 2023 e atualmente a terminar, tem como objetivo resolver um dos maiores problemas da empresa: a dependência de mão de obra altamente qualificada.

«Há muito pouca gente que, hoje em dia, saiba resolver problemas em máquinas antigas, que são altamente mecânicas», explica Carolina Guimarães, administradora da João Pereira Guimarães. «Há alguns que já não têm solução, porque, por exemplo, as peças estão danificadas e já não se fabricam. A solução que arranjámos foi uma digitalização do processo das máquinas», explica.

Esta digitalização consiste na automatização de tarefas que antes eram feitas manualmente, como a alimentação das máquinas, o que permitirá que a empresa seja menos dependente de mão de obra qualificada e mais eficiente na sua produção. O projeto-piloto está a ser desenvolvido em conjunto com vários sectores da empresa. «Tem sido uma evolução lenta, mas diria que o projeto-piloto está a correr muito bem», afirma Carolina Guimarães. «A ideia é depois gradualmente ir fazendo isto máquina a máquina», acrescenta.

Até agora, refere, «estávamos seguros por fios», uma vez que a mão de obra qualificada está a desaparecer, por falta de interessados na indústria para substituir aqueles que se reformam. «Não há cursos de tricotagem ketten», exemplifica. Por isso, refere a administradora, «embora não haja nada que substitua uma mão que esteja treinada, alguém que saiba mesmo fazer, ajuda muito ter o processo descrito», aponta Carolina Guimarães. «Nos últimos anos, temos feito um esforço muito grande para perceber a fundo como é que as coisas funcionam, aprendermos e descrever, de forma teórica, o que se faz no chão de fábrica – passamos a registar por escrito os processos e tarefas de cada um», indica.

A administradora, que, entretanto, apresentou um projeto no âmbito da Indústria 4.0, acredita que a automatização vai permitir que a empresa seja mais competitiva no mercado global. «Vamos ser menos rápidos do que o mestre que estava lá há muitos anos, mas ao menos não ficamos pendurados», sublinha.

Depois de um ano de 2023 «para esquecer», 2024 afigura-se melhor. «Este ano começou bem, digamos que dentro do normal, mas diria que as coisas estão em modo desacelerado. Há pouca procura de novos clientes – o consumo diminuiu e isso revela-se depois na procura junto das confeções e, consequentemente, das empresas têxteis», descreve Carolina Guimarães.

Há ainda uma maior «consciencialização» para questões de sustentabilidade, «que vão ter cada vez mais peso no futuro», acredita a administradora da João Pereira Guimarães.

A empresa, de resto, tem vindo a preparar-se para essas mudanças, quer com a introdução de algumas matérias-primas mais amigas do ambiente, nomeadamente reciclados, quer com a aposta em certificações, estando prevista a certificação Oeko-Tex até 2025.

A João Pereira Guimarães, cuja quota de exportação direta e indireta ascende a 90%, tem igualmente investido na melhoria da sua infraestrutura energética, tendo, no ano passado, terminado a instalação de painéis solares, um investimento que permitirá à empresa suprir, no período do verão, até 60% das suas necessidades energéticas.