Joana Vasconcelos cria Valquíria para a Dior

A artista portuguesa criou uma obra de arte inspirada em Catherine Dior, irmã de Christian Dior, para o mais recente desfile da casa de moda francesa. Esta nova Valquíria, produzida com diversos materiais, incluindo tecidos enviados pela própria Dior, serviu de cenário para a apresentação da coleção outono-inverno 2023.

Joana Vasconcelos [©Joana Vasconcelos]

Valkyrie Miss Dior, como foi batizada, é uma homenagem à florista de profissão mas sobretudo mulher forte e independente, que inclusive pertenceu à Resistência Francesa durante a II Guerra Mundial e que é uma fonte de inspiração para Maria Grazia Chiuri, atual diretora criativa da casa de moda. «A diretora criativa refere-se frequentemente, nas suas coleções, a Catherine Dior, verdadeiro modelo de emancipação feminina. Para Joana Vasconcelos – que se interessa pelas histórias pessoais e coletivas das mulheres cujas vidas se tornam um exemplo –, Catherine Dior é uma Valquíria. Na mitologia nórdica, as valquírias são divindades que servem o deus Odin. Sensível ao papel destas mulheres fortes, valiosas e combativas, a artista portuguesa elabora um projeto que é uma celebração da liberdade criativa», revela a Dior no seu website.

[©Dior]
[©Dior]
A criação desta valquíria, que serviu de cenário ao desfile da Dior durante a Semana de Moda de Paris, incluiu tecidos da própria coleção da casa de moda. «Joana Vasconcelos utiliza habitualmente tecidos que invocam, segundo ela, uma memória das origens e da força dos artesãos. Para o desfile da Dior, ela escolheu usar urzes florais inspiradas nos arquivos da Maison, uma ode às flores de Miss Dior e ao esplendor da natureza que era cara ao fundador, criando assim uma ligação entre os lugares, os tempos e a cultura», refere a Dior.

«Depois de receber 20 tecidos da coleção outono-inverno 2023 da Dior no ateliê de Lisboa, Joana Vasconcelos e a equipa juntam bordados, croché, lantejoulas, tranças, borlas e luz a uma obra site-specific para o Jardin des Tuileries no contexto da Semana da Moda de Paris. Seis meses mais tarde, Valquíria Miss Dior media cerca de 24 metros de comprimento por sete de altura, pesava mais de uma tonelada e trouxe espanto acrescido ao desfile de Maria Grazia Chiuri», pode ler-se nas redes sociais de Joana Vasconcelos.

[©Dior]
Sonho tornado realidade

A artista portuguesa confessa ter «a maior admiração por Maria Grazia Chiuri e pelo seu trabalho na Dior. A primeira mulher numa linhagem de grandes criadores à frente da icónica casa francesa, ela é uma enorme inspiração não só pela sua postura feminista, mas também pela valorização do saber fazer manual, duas causas que também me são muito caras. Foi um grande privilégio trabalhar com ela, testemunhar de perto a concretização do seu talento e da sua visão, uma pujante força criativa no mundo hoje».

[©Dior-Adrien Dirand]
O trabalho para a Dior foi ainda «a concretização de um sonho», afirma Joana Vasconcelos. «A moda é uma parte importante da minha vida. Para quem, como eu, começou a mostrar o seu trabalho nas Manobras de Maio de 1994, esta colaboração com a Dior é a concretização de um sonho. Desenvolvi esta instalação não só para integrar os tecidos, mas também para preencher o espaço, interagindo com as modelos e o público. Criando uma relação tríplice entre a escultura monumental, os corpos humanos e a roupa habitada, quase como numa espécie de dança escultórica. Entre as artes plásticas e a alta costura», conclui a artista portuguesa.

Joana Vasconcelos é uma das mais reputadas artistas nacionais, tendo, entre outros feitos, representado Portugal na Bienal de Veneza, em 2005 e em 2013, e merecido exposições em locais tão emblemáticos como o Palácio de Versalhes, em 2012, ou o Museu Guggenheim de Bilbau, em 2018. Em 2013, o seu talento tinha já sido reconhecida pela Dior, na exposição que juntou 15 artistas femininas de várias nacionalidades.