Jeans lideram revitalização do retalho japonês

As vendas de retalho no Japão encontram-se numa posição ascendente à medida que a economia nipónica se agita preparando-se para outro boom no consumo, à semelhança do que foi registado na década de 1980. A crescente procura por artigos de gama alta, como as calças de ganga de designer, sugerem que os bons tempos estão prestes a chegar para as empresas de retalho e de vestuário, conforme reflecte este artigo publicado pelo just-style. A artista japonesa Hiroko Akao refere que não vestiria outro tipo de calças, insistindo em nunca lavar os seus jeans de 200 dólares, defendendo que são uma obra de arte. Akao, assim como muitos dos japoneses entre os 20 e os 30 e poucos anos de idade, possui pelo menos um par de calças de ganga de gama alta. Numa altura em que a recessão japonesa aparenta desaparecer, os observadores acreditam que a popularidade deste tipo de calças de ganga deverá aumentar ainda mais. A Mitsukoshi, loja de departamentos localizada numa das famosas avenidas da cidade de Ginza, é um dos muitos locais famosos onde os clientes japoneses de jeans de gama alta se deslocam e onde as vendas deste tipo de artigos, valorizados acima dos 300 dólares, registaram uma subida de 17% ao longo dos últimos nove meses. Efectivamente, à medida que a economia do Japão se desenvolve, as vendas a retalho estão a aumentar, deixando antever um novo «boom» no consumo, à semelhança do registado durante a década de 1980. Segundo a opinião de um consultor de moda independente, o rápido aumento na procura de artigos de preço elevado, como as calças de ganga, é uma indicação de que o retalho e as empresas de vestuário japonesas podem esperar bons tempos no futuro. Aumento na confiança do consumidor Pela primeira vez, ao longo da última década, a confiança dos consumidores japonesesmostra uma evolução positiva, com o valor dos gastos no consumidor a registar um aumento em cerca de 1% no último semestre de 2005. Assim como aconteceu anteriormente no Japão, mais significativamente na década de 1980, em que o consumo estava em alta, uma economia saudável representa novos e velhos consumidores ávidos por comprarem artigos dispendiosos. As calças de ganga nunca saíram de moda, mas as vendasaumentaram como resultado da atitude de uma nova geração em relação à moda. Os fatos da Armani ou da Chanel dos anos 80 foram substituídos por uma moda mais urbana, mais ao estilo grunge. Durante anos os produtores de denim sentiram que as legiões de jovens japoneses bem vestidos representavam uma escassez de mercado em relação a outros países industrializados que importavam com entusiasmo a cultura americana e, por conseguinte, os estilos de vestuário. Se os jeans representavam a rebeldia, então não encontravam utilidade num país onde a conformidade e a harmonia eram valorizadas acima de tudo. O fato de negócios, utilizado no escritório e nos momentos de lazer, era um forte símbolo destes sentimentos no Japão. Mas, sentindo-se desiludidos com o sistema japonês, a «geração perdida» virou-se para os EUA e para a Europa como modelos. Apesar da recessão ter sido moderada, as pessoas perderam os seus postos de trabalho (algo inédito no Japão), e actualmente existe até a procura de jeans por parte da «conformista» geração de meia-idade. Destacando-se da multidão Na medida em que o Japão possui uma significativa classe média, geralmente a única forma dos consumidores poderem salientar a sua diferença da multidão é através da utilização de calças de ganga verdadeiramente caras. Assim como as bolsas da Louis Vuitton surgiram como símbolo das aspirações do Japão nos anos 80, também as marcas de calças de ganga de gama alta são hoje reconhecidas como símbolo de estatuto e estilo para uma nova geração que, pela primeira vez, dispõe de dinheiro. A procura no estrangeiro por jeans japoneses feitos à medida, também suscitou o interesse nestas calças algo esotéricas de elevado preço e qualidade. Wells, Capital e Kaihara Corp são apenas alguns dos nomes que se salientaram no distrito de Okayama, próximo de Osaka, produzindo algum do denim de maior qualidade disponível em todo o mundo. Agora o Ocidente quer entrar no Japão para lucrar do cachet que as marcas estrangeiras trazem para um determinado segmento do consumidor japonês, ou seja: os consumidores que sentem que as marcas japonesas não transmitem a imagem internacional que procuram. Para responder à procura, os produtores estrangeiros de calças de ganga inundaram o Japão ao longo dos últimos 18 meses. Existem actualmente pelo menos 15 players principais no mercado japonês de jeans de gama alta. Entre 2005 e 2006 entraram 24 novas marcas de jeans de gama alta no Japão, originando um mercado muito concorrido. A Japan Consuming, publicação de renome que foca o mercado japonês de retalho, sugere que o mercado já está saturado e que a procura atingiu o seu pico. «Há já cinco anos que este boom se regista e as actividade dos principais distribuidores assemelham-se mais a uma histeria exagerada do que a um crescimento efectivo. Até 2000 o mercado de denim estava limitado a alguns players principais como Eiko Shoji e Caitac, algumas empresas internacionais, como Levi Strauss Japan e VF Ásia, e a pequenos casos de sucesso que trabalhavam marcas únicas como CFN e Cimarron», refere a Japan Consuming. «Desde esta altura o mercado diversificou-se consideravelmente, com até a Sogo Shosha (loja de departamentos de grande dimensão) a juntar-se ao grupo com a assinatura de Itochu Shoji da Cimarron e laços com numerosas outras marcas». O distribuidor japonês de topo IPGI introduziu três marcas estrangeiras de topo. A Japan Consuming reconhece que o negócio de jeans importados do IPGI está valorizado em 1, 6 mil milhões de ienes (14 milhões de dólares) de vendas a grosso, mas que deverão atingir os 2,5 mil milhões de ienes (21 milhões de dólares) no final de 2006. Para os produtores e consumidores de jeans poderá ser um caso de aproveitar os tempos actuais, mas, assim como aconteceu durante os anos 80, a questão prende-se em saber durante quanto tempo.