ITVC perdeu 12 milhões de empregos

O impacto da crise económica nos sectores Têxtil, Vestuário e Calçado tem sido dramático. Desde Junho passado, cerca de 8.200 empresas encerraram as suas portas e foram extinguidos cerca de 12 milhões de empregos um pouco por todo o mundo. Especialistas internacionais estimam ainda que mais 3 milhões de empregos possam estar em risco. E para a grande maioria desses trabalhadores, as perspectivas de empregabilidade são bastante reduzidas. Segundo a Federação Internacional dos Trabalhadores do Sector Têxtil, Vestuário e Couro, organização internacional que reúne cerca de 220 associações de 110 países e representa mais de 10 milhões de trabalhadores do sector, a situação é particularmente trágica para os operários dos países em vias de desenvolvimento, onde não existem regimes de protecção social. Dos trabalhadores atingidos por esta situação, 80% são mulheres, a maioria com menos de 24 anos de idade, sendo, em muitos casos, a única fonte de rendimento de um vasto agregado familiar. Os trabalhadores deslocados (migrantes) são, como sempre, o segmento mais vulnerável. Este tipo de trabalhadores tem, muitas vezes, dívidas relativas a taxas de recrutamento – que por vezes chegam a atingir os 5.000 dólares, o equivalente a muitos anos de salários –, o que leva a que fiquem com dívidas quando perdem os seus empregos. Só no Bangladesh estima-se que existam 6 milhões de cidadãos que emigraram para trabalhar em fábricas da fileira moda fora do país. O seu regresso forçado irá aumentar consideravelmente as pressões sociais naquele país asiático. Estes trabalhadores, quando empregados, sofrem ainda com a deterioração das condições de trabalho e salariais que lhes são oferecidas. Trabalho a tempo parcial, reduções salariais, trabalho suplementar não pago e salários abaixo do limiar de subsistência contribuem igualmente para a degradação do nível de vida destas populações. Para agravar esta situação, há ainda uma pressão cada vez maior para a redução de preços, muitas vezes a meio de contratos vigentes, por parte das grandes marcas e retalhistas internacionais. A Federação Internacional dos Trabalhadores do Sector Têxtil, Vestuário e Couro denunciou recentemente estas situações e o facto dos sindicatos nacionais estarem, nesta crise bem como nas precedentes, enfraquecidos por anos de repressão, tornando-os pouco preparados para defenderem os trabalhadores neste momento crucial. A federação acrescentou ainda que é aos trabalhadores, tal como também aconteceu nas crises anteriores, que têm sido pedidos mais sacrifícios, sem nenhuma garantia de recompensa quando melhores tempos chegarem.