ITV sem brilho no Império do Sol Nascente

Com uma população que ultrapassa os 127 milhões de habitantes, um produto interno bruto em crescimento (mais 2,2%) e uma taxa de inflação de apenas 0,2%, o Japão é uma das economias mais desenvolvidas do mundo. Mas, apesar disso, a relevância da indústria têxtil na economia do país tem vindo a diminuir, atingindo níveis muito reduzidos, como revela o relatório agora divulgado pelo Institut Français de Mode (IFM) com base nos dados da Missão Económica de Tóquio. Historicamente, o Japão foi um dos primeiros países a desenvolver a indústria têxtil. Mas foi também um dos primeiros a conhecer um movimento de deslocalização das suas unidades de produção para os países vizinhos, que apresentavam custos salariais mais baixos. Actualmente, a indústria têxtil japonesa mantém-se posicionada sobretudo nas fibras e tecidos sintéticos. O capital intensivo mais elevado que esta actividade exige e, por consequência, a menor vantagem em deslocalizar, explica em parte que este segmento tenha resistido melhor do que os outros. No total, a produção japonesa de têxtil estÁ claramente orientada em baixa. Considerando uma base 100 para o ano 2000, constata-se que o índice de produção caiu para 63,7 em 2006. A produção japonesa de têxtil diminuiu assim, em média, 7,2% por ano desde o início desta década. Em consequência, os efectivos empregados por esta indústria seguiram o mesmo caminho: em 2006, o sector têxtil empregava apenas 144.000 pessoas. Esta diminuição de efectivos e de unidades produtivas da indústria têxtil tem vindo a ser acompanhada de parcerias crescentes com as empresas chinesas. O Japão mantém com a China relações de subcontratação sustentadas, como prova o lugar central que a China ocupa nas exportações de têxteis japoneses: 43,4% dos produtos tiveram por destino o Império do Meio. O Japão é por isso um investidor importante para o país: com 47 mil milhões de dólares investidos em 2005 em todos os sectores, é apenas ultrapassado pelos EUA (48 mil milhões de dólares). As relações sino-japonesas no sector têxtil assumem cada vez mais a forma de joint-ventures. Contudo, apesar destas iniciativas serem importantes, o Japão estÁ a perder, pouco a pouco, a sua posição nas trocas comerciais mundiais: as suas exportações têxteis não representam mais do que 3,4% dos fluxos mundiais em 2005, contra 4,5% em 2000. Dualidade no consumo interno O panorama com as indústrias que se dedicam à produção de vestuÁrio não é muito mais animador. Após uma década 80 marcada por um forte crescimento económico, o Japão conheceu em seguida algumas dificuldades para retomar tais performances. Neste contexto, as receitas e o consumo das famílias diminuíram claramente desde o início dos anos 90. A ponto do consumo dos japoneses contribuir negativamente para o crescimento do PIB nipónico. O mercado do vestuÁrio perdeu sensivelmente a sua importância: em 2006, as vendas a retalho diminuíram 2,3% em relação a 2005. Esta quebra mantém-se hÁ jÁ uma dezena de anos. No entanto, o mercado interno japonês mantém-se como o segundo mercado do mundo, atrÁs do dos EUA, com 65 mil milhões de euros gastos em 2006. E dÁ um sinal positivo, digno de destaque: a quota do vestuÁrio no orçamento dos agregados familiares nipónicos parou de diminuir pela primeira vez em 2006. Após ter passado a barreira dos 5% no início dos anos 2000, esta proporção estabilizou nos 4,7% em 2006 (contra 4,6% em 2005). No sector do vestuÁrio, as importações japonesas (cerca de 18 mil milhões de euros em 2006) ultrapassam em muito as exportações (278 milhões de euros). Mais uma vez, a hegemonia chinesa é evidente: o Império do Meio concentra sozinho 83% do vestuÁrio entregue no Japão. O que não impede que alguns países ocidentais tentem penetrar no mercado, em particular a ItÁlia – que é o segundo fornecedor de vestuÁrio do Japão –, os EUA, que se ficam pelo sexto lugar, ou ainda a França, o oitavo fornecedor mais importante em valor. Tudo isto mostra uma certa dualidade no consumo japonês de vestuÁrio: os produtos europeus ou americanos de gama alta estão lado a lado com as produções asiÁticas de baixa qualidade. Em termos de distribuição, as tendências registadas desde hÁ alguns anos mantêm-se: as grandes lojas, vector histórico da moda, estão em declínio, sobretudo em benefício das cadeias especializadas.