ITV ressente-se em 2003

O ano de 2003 foi caracterizado pela queda do PIB de 1,3% segundo as estimativas do INE. A conjuntura económica recessiva reflectiu-se também na Indústria Têxtil e Vestuário (ITV), com volume de negócios desta indústria a registar uma queda de 5,8% face a 2002, atingindo segundo as estimativas do CENESTAP 7.711 milhões de euros. O vestuário foi o sector que registou uma queda mais acentuada (-9,2%). Note-se que em 2002, o volume de negócios do vestuário tinha registado uma variação positiva de 1,9%. No sector têxtil a queda foi de 3,0% (face à queda de 4,7% registada em 2002). O volume de negócios da Indústria Transformadora (IT) registou também uma queda, embora menos acentuada (-1,5%). A ITV representa 11,4% do volume de negócios da IT menos 0,5 p.p. do que em 2002.

O emprego mantém a tendência de queda. A ITV contribuiu para o aumento da taxa de desemprego nacional com um decréscimo do emprego de 7,6%. Em2003, aITV empregava, segundo o Observatório Têxtil do CENESTAP, 196.719 trabalhadores. Na IT este decréscimo foi menos acentuado fixando-se em 4,2%.

O custo do trabalho teve uma variação positiva na ITV e na IT, no entanto ao contrário do que aconteceu em2002 avariação do custo do trabalho foi superior na ITV que na IT.O custo de hora trabalhada na ITV cresceu a uma taxa média de 3,0%, enquanto que na IT este indicador se fixou nos 2,5%. É a primeira vez, desde 2000, que a taxa de crescimento na ITV é superior à da IT.

A produção da ITV avaliada pelo índice de produção industrial decresceu 5,1% em 2003, mais 0,1 p.p. que em 2002, reflectindo a queda da produção do sector têxtil (-6,9%) e, em menor escala, a queda do sector do vestuário de (-2,9%).

A variação homóloga mensal do índice de produção industrial aponta para uma evolução na ITV e na IT relativamente equiparada até Junho. A partir de Março regista variações homólogas mensais positivas até Julho. Na ITV registou-se uma ligeira recuperação entre Março e Junho, mantendo posteriormente variações homólogas mensais próximas de 5%, tendo em Dezembro decrescido 13,5%.

As exportações da ITV registaram uma queda pelo segundo ano consecutivo, tendo-se fixado, segundo as estimativas do Observatório Têxtil do CENESTAP, em 4.723,1 milhões de euros, menos 5,1% que em 2002.

As importações acompanharam esta tendência (-4,5%) fixando-se em 3.057,1 milhões de euros. O saldo da Balança Comercial foi de 1.665,9 milhões de euros, menos 6,3% que em 2002.

As exportações nacionais que se destinam aos principais mercados decresceram, com excepção do mercado espanhol. Denote-se que é para Espanha que Portugal exporta a maior quota de produção com marca própria, sendo evidente a mais valia nesta aposta estratégica. Para os outros mercados é a subcontratação que impera, com claro esgotamento desta orientação.

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