ITV portuguesa em sintonia com a Europa

Só no ano passado o sector europeu da indústria têxtil e de vestuário perdeu 68 mil trabalhadores e viu o seu volume de negócios recuar 1,5%. Se o panorama da Europa é desolador, o panorama português não é melhor. Segundo as estimativas do Observatório Têxtil, com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística, no primeiro semestre de 2002 as exportações da ITV portuguesa caíram 3,2% para 2.561 milhões de euros. As importações, por sua vez, decresceram 26 milhões de euros para 1.679 milhões de euros. Num estudo realizado pelo Centro de Estudos Têxteis Aplicados (CENESTAP), pode ver-se que só no primeiro trimestre do corrente ano o volume de negócios da indústria registou um decréscimo de 5,4%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Neste indicador, o vestuário teve uma queda de 7,4%, enquanto o têxtil atingiu uma descida de 4,5%. Pode confirmar-se no estudo do CENESTAP que esta «variação homóloga no primeiro trimestre não atingia valores negativos desde 1999». Um outro indicador com nota negativa é o emprego, que teve uma quebra de 1,9% nos primeiros três meses deste ano, para um total estimado de 220.568 trabalhadores. Apesar de em 2001 a ITV portuguesa ter registado um ligeiro aumento do volume de produção – o que já não acontecia desde 1996 -, no primeiro trimestre de 2002 registou uma quebra de 8,4%, em comparação com o período homólogo de 2001 (7,9% no têxtil e 9,1% no vestuário). O índice CENESTAP/ITV que avalia a evolução da conjuntura do sector registou um valor médio nos primeiros seis meses deste ano que representa 54,7% do verificado no ano passado. Para além destes dados «o índice CENESTAP também vem corroborar o facto de nos primeiros três meses de 2002 se ter registado o valor mais baixo dos períodos homólogos desde 1997». Os números mostram, «que no presente ano a falta de confiança paira sobre os agentes económicos do têxtil e vestuário», explica o CENESTAP. Questionado pelo jornal Público sobre o facto do sector estar a atravessar uma crise, José Robalo, presidente da Federação da Indústria Têxtil e do Vestuário, respondeu com uma outra questão: «Qual é o sector que não está em crise?». A quebra do volume de negócios, o consequente fecho de empresas e o aumento do desemprego não querem dizer que «está tudo falido como querem fazer crer», garante José Robalo, presidente da Federação. «As empresas com grande capacidade comercial e que não dependem do mercado nacional aumentaram as vendas», adianta o dirigente. Contudo, «as que dependem do mercado português estão a ter problemas devido a esta psicose de crise gerada no país», explica, o presidente da Federação. Mas na opinião de Robalo «faz pior a psicose da crise do que, efectivamente, a crise». Luísa Santos, directora de Relações Internacionais da Associação Portuguesa de Têxteis e Vestuário, é da opinião que a retracção do consumo e da confiança decorrente da delicada conjuntura internacional faz com que «a situação não esteja famosa», não vislumbrando, por isso, «grandes alterações» para o resto do ano.