ITV indiana lança SOS

Milhares de trabalhadores no sector têxtil indiano podem perder o emprego. Cerca de 70.000 a 80.000 trabalhadores devem juntar-se aos números dos desempregados daqui a um mês, numa altura em que a valorização da rupia face ao dólar torna as exportações têxteis pouco competitivas e leva à supressão de postos de trabalho. Este número irÁ somar-se aos 80.000 que jÁ perderam o seu emprego, afirma a Associação de Produtores de VestuÁrio da índia (CMAI). A indústria de vestuÁrio indiana estÁ estimada em 1,16 mil milhões de rupias e exporta vestuÁrio no valor de 360 milhões de rupias. O mercado interno de vestuÁrio, que inclui vestuÁrio étnico e meias nos sectores organizado e não-organizado, ronda os 700-800 milhões de rupias, dos quais cerca de 300 milhões de rupias em vestuÁrio pronto-a-vestir. A indústria de trabalho intensivo, que estÁ “em agonia”, procura agora o apoio do governo. A apreciação da rupia afectou severamente as exportações. Nenhum país pode esperar sobreviver a 10-15% de valorização sem ajuda governamental», sublinha o presidente da CMAI, Rahul Mehta. As margens desta indústria são de 7-9% e com uma depreciação de 5%, o balanço torna-se muito baixo para a sobrevivência da indústria», acrescentou. O crescimento nas vendas locais de têxteis também abrandou, como revelam os resultados do segundo trimestre do ano fiscal das empresas do sector. O governo anunciou recentemente um pacote de incentivos no valor de 50 milhões de rupias, mas a indústria sente que é pouco e que chega demasiado tarde. Para a ITV indiana, este pacote não é uma medida de alívio mas um reembolso. A CMAI sente que, sendo um sector orientado para a exportação, devia estar isento de impostos. A taxa de juro dos apoios estÁ também a afectar a indústria. As margens mais curtas forçaram a indústria a tornar-se mais competitiva, que agora tenta ser mais produtiva, abandonando os produtos com margens mais curtas e voltando-se para a produção de artigos de maior valor acrescentado e para a introdução de tecnologias mais modernas. Tirupur, o centro do sector das malhas na índia, tem também uma história semelhante. Os produtores têxteis tinham jÁ cortado quase 10.000 empregos directos até agora mas prevêem que esse número atinja os 50.000 até ao final deste ano. Tirupur alberga mais de 1.000 empresas exportadoras, que no último ano fiscal totalizaram receitas de 110 milhões de rupias, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Mas este ano, as receitas deverão cair 10%. Numa altura em que os mercados europeu e americano se tornam menos competitivos, os exportadores têxteis estão cada vez mais a voltar a sua atenção para os países asiÁticos ainda pouco explorados. Para além de encontrarem novos mercados, esta estratégia permite também reduzir a sua dependência do mundo ocidental. HÁ igualmente um grande foco no mercado interno. Se o mercado interno for devidamente explorado, o crescimento do mercado serÁ superior a 25-30%», refere Mehta. Contudo, para o sector têxtil, dar a volta por cima não vai ser fÁcil. A indústria, explica Mehta, é condicionada pelas leis laborais que forçam as empresas a ficar com os empregados apesar da sua ineficiência. De acordo com o CMAI, em 2005, a indústria de vestuÁrio cresceu cerca de 35%, um valor que desceu para 14% em 2006. A indústria teme que este ano a taxa de crescimento possa cair para os 10% negativos, o que representaria uma queda de cerca de 24% na taxa de crescimento. De acordo com Mehta, é também preciso ter em conta o exemplo de outros países fortes na exportação têxtil, como a China, onde os preços internos são maiores que os preços de exportação, o que, por sua vez, torna as exportações mais baratas, aumentando consequentemente a sua competitividade internacional.