ITV europeia tem de ser mundial

A Euratex reiterou a ambição de que a indústria têxtil europeia tenha um papel nos mercados mundiais, nomeadamente no continente africano. Uma ideia reforçada na sétima edição do EU-Africa Business Forum 2022, e já avançada na visão da confederação europeia para o futuro da ITV da UE.

O ecossistema têxtil, refere a Euratex em comunicado, é considerado o segundo sector mais globalizado da economia europeia – está construído em cadeias de aprovisionamento mundiais e está em concorrência acérrima com a China, EUA, Bangladesh, Turquia e muitos outros. As importações, indica a confederação, estão em 115 mil milhões de euros, 60% das quais de vestuário e as restantes de têxtil, com um aumento dramático de têxteis médicos (máscaras) importados em 2020. Todos os anos, 22 mil milhões de produtos têxteis e vestuário são comprados para o mercado único da UE.

Por outro lado, a Euratex sublinha que a indústria têxtil e vestuário da UE tem cerca de 154 mil empresas, que empregam 1,47 milhões de trabalhadores, sendo um pilar essencial da economia local em muitas regiões da UE, com mais de 53 mil milhões de euros de exportações.

À medida que os mercados emergentes evoluem, o apetite por melhor qualidade, conforto e design vai aumentar, acredita a confederação. A possibilidade e disponibilidade para comprar têxteis técnicos, que oferecem soluções para durabilidade e melhor performance, vai dilatar. «É aqui que a Europa pode ser bem sucedida», destaca a Euratex.

No documento sobre a sua visão para o futuro dos têxteis e vestuário europeus, a Euratex aponta a ambição de aumentar a quota mundial da indústria têxtil através do reforço das relações com a Turquia e os países do Norte de África, que oferecem oportunidades de nearshoring. «O continente africano no geral oferece oportunidades de comércio e investimento, desde que o clima de negócios seja estável e transparente», considera.

Otimização de relações

A confederação sugere igualmente a otimização das relações com a Suíça e o Reino Unido, sobretudo tendo em conta os danos causados pelo Brexit, e considera que o acordo de comércio livre com o Mercosur deve ser ratificado o mais rapidamente possível.

Dirk Vantyghem [©Euratex]
A Euratex acrescenta ainda que «temos de trabalhar com os EUA no reconhecimento mútuo de standards e em criar regras sociais e ambientais mundiais» e pede que a Índia que faça uma «proposta honesta» para as próximas negociações de comércio livre, que assegure «o acesso total e justo ao mercado indiano», refere.

«O futuro dos têxteis europeus é mundial. Há milhões de potenciais clientes lá fora, desejosos de usufruir de produtos de elevada qualidade e sustentáveis, que as nossas empresas possam fornecer», considera Dirk Vantyghem, diretor-geral da Euratex. «A estratégia têxtil europeia deve abraçar essa dimensão mundial. Não conseguir fazer isso será uma oportunidade perdida», conclui.