ITV europeia mais exposta

O relatório de primavera da Euratex dá conta de um aumento do comércio internacional, para um novo recorde, em 2022, com as importações da China e do Bangladesh a subirem e a fazerem com que a indústria têxtil e vestuário da região esteja mais dependente de mercados externos.

[©Pixabay-Michal Jarmoluk]

Em 2022, revela a confederação europeia do têxtil e vestuário, o comércio de têxteis e vestuário ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos 200 mil milhões de euros, um valor recorde que se deve, sobretudo, a um aumento acentuado das importações de vestuário (+36,6% em valor, para 138 mil milhões de euros, em comparação com os 106 mil milhões de euros de 2021), provenientes sobretudo da China e do Bangladesh.

Já as exportações, apesar da queda de 4,5% em volume, subiram 15% em valor em 2022, para 67 mil milhões de euros, em comparação com os 58 milhões de euros no ano anterior.

Como resultado, sublinha a Euratex em comunicado, o défice da UE no comércio de têxtil e vestuário aumentou para 70 mil milhões de euros, o que representa um valor 48% mais alto do que em 2021. Resultados que a confederação vê com preocupação, alegando que o objetivo da estratégia industrial da UE de reforçar a resiliência e autonomia estratégica da ITV não está a acontecer. «Em vez disso, a nossa dependência aumentou e é crítica em algumas matérias-primas e fibras», destaca.

Os números, considera a confederação, também desafiam a ambição da Comissão Europeia de promover produtos têxteis sustentáveis e de elevada qualidade no mercado único, independentemente de onde sejam feitos. «Com as importações a chegarem agora aos 140 mil milhões de euros, será um desafio controlar eficientemente a qualidade e cumprimento em relação a estas importações», afirma a Euratex, que aponta para a necessidade de aumentar a vigilância, sem que esta se torne uma barreira ao comércio.

Medidas necessárias

Nas conclusões, a Euratex sublinha a necessidade de reforçar a performance das exportações, de forma a equilibrar as relações comerciais com o resto do mundo, nomeadamente em áreas onde a UE lidera, como produtos de moda de gama alta e têxteis técnicos, e aponta para as diferenças significativas ao nível do volume e do valor transacionados, que mostram a elevada inflação sentida no ano passado, inicialmente causada pelos preços da energia e mudanças nas políticas dos bancos centrais, que se traduziu, nos tempos mais recentes, em incerteza junto do consumidor e, consequentemente, numa diminuição da procura e fracas perspetivas para o futuro.

Dirk Vantyghem

«O relatório confirma, mais uma vez, que a têxtil é um dos sectores mais globalizados da economia europeia e, daí, a importância de ter em conta essa dimensão mundial quando se desenham as políticas nacionais e europeias. Se isso não acontecer pode ter um efeito devastador sobre a competitividade global da indústria têxtil europeia», sustenta Dirk Vantyghem, diretor-geral da Euratex.

Em termos futuros, «é essencial estabilizar a inflação, restaurar a confiança do consumidor e assegurar um mercado nivelado para todos os que operam na indústria têxtil. Nessa base, as empresas europeias podem prosperar e oferecer emprego de qualidade a 1,3 milhões de trabalhadores», acredita Dirk Vantyghem.