ITV da Turquia alinha-se com as exigências da UE

A indústria têxtil e vestuário da Turquia está empenhada em duplicar as suas exportações e, com esse objetivo em mente, criou um roadmap para fazer a transição para a sustentabilidade, em linha com o Pacto Ecológico da União Europeia.

[©Flickr-ILO]

A indústria de vestuário da Turquia anunciou o seu roadmap para a transformação sustentável para cumprir integralmente o Pacto Ecológico da UE, que se apoia na economia circular para o crescimento económico, adotando os princípios da eficiência das matérias-primas e da utilização de energias renováveis.

A indústria de vestuário, um dos sectores estratégicos da Turquia, apresentou o documento “Estratégia Sustentável e Plano de Ação da Indústria de Vestuário”, que consiste em 40 iniciativas sob seis áreas, numa conferência liderada por Mustafa Gültepe, presidente da Assembleia de Exportadores da Turquia (TIM) e da Associação de Exportadores de Vestuário de Istambul (IHKIB), com a presença de quatro outros presidentes de associações de exportadores de vestuário, em representação de toda a indústria turca de vestuário.

Citado num artigo do Just Style, Mustafa Gültepe revelou que têm acompanhado de perto a legislação europeia que afeta a produção de vestuário, sublinhando, contudo, que a indústria turca de vestuário começou a trabalhar na produção sustentável muito antes do Pacto Ecológico. «Com a “Estratégia Sustentável e Plano de Ação da Indústria de Vestuário” estamos a mandar uma mensagem muito forte aos nossos parceiros de negócio europeus sobre o nosso compromisso para a transformação ecológica», afirmou.

Mustafa Gültepe [©IHKIB]
Mais de 40% das exportações turcas têm como destino países da UE e o rácio para o vestuário excede os 60%. «Os países da UE são de importância vital para as nossas exportações devido à sua proximidade geográfica. Como tal, temos de preparar rapidamente o sector para o objetivo de atingir zero emissões de carbono em 2050. Para isso, temos de aumentar o nosso design, a produção inovadora e de marca sob capacidade produtiva ecológica, já que as empresas sediadas na UE estão a reestruturar a sua cadeia de aprovisionamento com base nos critérios de sustentabilidade estabelecidos para 2030», explicou Mustafa Gültepe.

«Nesta cadeia de aprovisionamento “verde” emergente, os produtos de vestuário terão de ser duradouros, recicláveis e amigos do ambiente. Somos o terceiro maior fornecedor de vestuário da UE. Para proteger e aumentar a nossa quota de mercado, temos de fazer os nossos preparativos com este facto em mente e rapidamente transformar a nossa infraestrutura», acrescentou.

Financiamento essencial

O presidente da TIM e da IHKIB explicou que o roadmap abrange toda a agenda de transformação da indústria, acrescentando que «a nossa indústria de vestuário já completou muitos projetos e tem projetos em curso no âmbito da sustentabilidade há muito tempo. Agora o Pacto Ecológico da UE antevê uma transformação completamente ecológica para a indústria juntamente com indústrias relacionadas. Financiar a transformação verde é vital, sobretudo para as PMEs. Com os projetos preparados pela IHKIB, beneficiamos efetivamente de bolsas da UE. Com as ações neste documento, que é um guia para o sector, estamos a comprometer-nos com a sustentabilidade para os nossos parceiros de negócio europeus. Também esperamos que os nossos parceiros revejam as suas políticas de compras e apoiem as necessidades de financiamento e investimento do lado da produção, ao mesmo tempo que estabelecem os seus próprios objetivos de sustentabilidade».

Mehmet Kaya, administrador da IHKIB e diretor do Comité Conjunto de Sustentabilidade do Sector do Vestuário, destacou que a Turquia é um dos raros países na cadeia de aprovisionamento do vestuário que consegue fazer os artigos da fibra ao produto final, além de que se distingue dos seus concorrentes pelas suas capacidades no design, qualidade, proximidade aos mercados finais e uma forte infraestrutura de fornecedores.

[©IHKIB]
«Acreditamos que vamos tornar o processo de transformação ecológico numa oportunidade com a abordagem da cadeia de parcerias. Em vez de sermos apenas um elo na cadeia de aprovisionamento normal, devemos ser uma unidade indispensável na cadeia de parcerias. Aqui, os critérios de cumprimento, competitividade e sustentabilidade vêm à frente. Temos de ser completamente cumpridores em termos sociais, de ambiente e de gestão, competitivos em termos de performance de preços e completar o cumprimento da sustentabilidade. Temos de responder a estes padrões não porque alguém nos exige, mas porque somos um parceiro a partilhar a responsabilidade da cadeia de aprovisionamento num terreno justo», assegurou Mehmet Kaya. «A indústria turca de vestuário já não deve procurar a competitividade com produtos baratos. Por isso, precisamos de completar a transformação muito rapidamente. É também vital assegurar que a UE fornece os mecanismos de incentivo necessários, pensando no posicionamento da indústria de vestuário da Turquia dentro do ecossistema europeu», apontou o administrador da IHKIB.