ITV chinesa tem novo plano

Beijing publicou na passada semana um plano de reestruturação de 5 anos para a modernização da indústria têxtil e do vestuário (ITV) chinesa. O plano, que terá duração de 5 anos, tem como linhas orientadoras a aposta na produção de artigos com maior valor acrescentado, criação de marcas internacionais, concentração industrial através de fusões estratégicas, uso de fibras alternativas e a redução do consumo energético. De acordo com este programa anunciado a 20 de Junho de 2006 pelo National Development and Reforme Commission (NDRC) em conjunto com outros nove departamentos do Governo Central, nos próximos 5 anos, a produção de fibras têxteis deverá aumentar para os 3,6 milhões de toneladas, mais 35% que o planeado no actual plano em vigor. Adicionalmente, a produtividade per capita deverá crescer 60% enquanto se estima uma queda do consumo de energia e de água na ordem dos 20%. Porquê a aposta na ITV? Segundo o relatório do NDRC, o desenvolvimento da ITV é fundamental para toda a economia chinesa. As exportações de artigos têxteis e do vestuário representam 24% do comércio mundial. No entanto, com o aumento da concorrência internacional tornaram-se mais visíveis as limitações que bloqueiam o desenvolvimento da indústria chinesa. Entre as limitações apontadas no plano destacam-se: 1. A falta de inovação e motivação A investigação e desenvolvimento representa menos de 1% do volume de negócios da ITV chinesa, grande parte do tecido industrial trabalha em regime de private label subcontratadas por grandes marcas estrangeiras. Os grupos chineses ainda não estão em condições de criar as suas próprias marcas internacionais. 2. A estrutura industrial A proporção de produção com base em tecnologia de ponta é ainda muito baixa. Em média as empresas são muito pequenas não tendo condições financeiras e tecnológicas para produzir inovação. Por outro lado, as grandes empresas não consideram a aposta em novas tecnologias como fundamental. Por fim, a disparidade regional entre a zona central e a ocidental aumenta as dificuldades. 3. Restrições ambientais e de recursos O relatório do NDRC aponta a falta de matérias-primas, especialmente de algodão e fibras sintéticas como uma limitação ao desenvolvimento desta indústria. O aumento do consumo de água e a exígua reciclagem também constituem um entrave a nível ambiental. 4. Insuficiente legislação laboral e de concorrência Por fim, o relatório aponta a ausência de legislação como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento da ITV do gigante asiático, na medida em que, a falta de legislação se reflecte na insatisfação do pessoal ao serviço, assim como, na concorrência desleal entre as empresas. Para fazer face a estes obstáculos plano de 20 de Junho prevê um conjunto de medidas: a) Aposta em alta-tecnologia e aumento da produção de valor acrescentado Expansão de sistemas modernos como ERPs (Enterprise Resource Planning) e e-business. Alteração da política de impostos de forma a encorajar a aposta em inovação tecnológica por parte das unidades industriais. Estimulo à criação de centros de investigação e desenvolvimento por parte das empresas. As empresas inovadoras deverão também beneficiar de uma isenção fiscal nos primeiros dois anos após a criação e de uma taxa máxima de 15% após esse período. O relatório também sugere a descida do imposto sobre o valor acrescentado (IVA). b) Acelerar a investigação de novas matérias-primas Diversificar as matérias-primas utilizadas na produção da ITV através da investigação do uso do linho, bamboo e outros materiais alternativos como as fibras recicladas. c) Optimizar a distribuição regional da produção têxtil O Governo de Beijing procura, neste plano, controlar a capacidade de produção de algodão e fibras sintéticas nas zonas costeiras e fomentar o aumento da capacidade nas zonas ocidentais e centrais utilizando os recursos locais com o objectivo de optimizar a distribuição regional da produção. Note-se que 80% das empresas têxteis estão actualmente localizadas nas zonas costeiras. d) Manter o controlo rígido do investimento e eliminar a locação de equipamento obsoleto O investimento na ITV aumentou 80% em 2003 tendo caído 30% em 2004 e 36% em 2005 após a imposição de um controlo mais apertado ao investimento. De acordo com as autoridades chinesas o investimento tem crescido a taxas muito elevadas comparando com o aumento do consumo interno e das exportações. e) Apoio à criação de grandes empresas Estímulo à criação de empresas que possuam equipamento e tecnologia avançada mas também que se empenhem em marcas próprias nos mercados internacionais. f) Promoção de práticas limpas e redução do consumo de energia O plano para os próximos 5 anos não descura o ambiente, muito pelo contrário, fomenta o uso de tecnologia que proteja o ambiente e promove um consumo energético mais eficiente. Em suma, o novo plano lançado pelo NDRC tem por objectivo acelerar o processo de reestruturação da ITV chinesa de forma a adaptar esta indústria aos novos desafios do comércio mundial.