ITV britânica com novo fôlego

Os programas de investimento para desenvolver a indústria têxtil e vestuário no Reino Unido começam a dar frutos. Os números mais recentes dão conta da criação de quase 4.500 postos de trabalho e de um volume de negócios superior a 9 mil milhões de libras, o que representa um crescimento de 28% desde 2012.

Só nos últimos dois anos, a indústria têxtil e vestuário do Reino Unido registou um aumento de 2,5% da produção, equivalente a um crescimento de 200 milhões de libras (238,3 milhões de euros) entre 2014 e 2016, revelou o Textiles Growth Programme numa conferência em Manchester no passado dia 12 de abril. O crescimento terá sido alavancado por um investimento público e privado de 150 milhões de libras ao longo de quatro anos.

O Textiles Growth Programme está centrado na criação e salvaguarda de postos de trabalho através de um projeto financiado por bolsas – apoiando projetos de capital, formação e investigação e desenvolvimento na indústria.

O programa, que ajudou a criar 1.600 postos de trabalho e 115 estágios em Inglaterra no primeiro ano, é liderado pela retalhista N Brown Group, que tem lojas físicas mas vende também por catálogo e online, e é apoiado pelo Department for Business Innovation and Skills, a Manchester Growth Company, a Marks & Spencer, a Asos, Roland Mouret e outras marcas.

Até à data, 340 empresas produtoras investiram um total de 123 milhões de libras no programa, criando mais 4.450 postos de trabalho e 380 estágios. De acordo com um estudo do gabinete de estatística ONS Labour Force, o Reino Unido emprega agora 127.500 pessoas na indústria têxtil, em todos os níveis de qualificação, desde o embalamento e pessoal de armazém até ao conselho de administração.

Como tal, os números mostram que a produção de têxteis e moda no Reino Unido aumentou 28% desde 2012 e está agora avaliada em 9,1 mil milhões de libras, com 26% desse valor a ser exportado para fora da União Europeia.

«Há cinco anos, o Lord [David] Alliance desafiou Sir Vince Cable, na altura Secretário de Estado dos Negócios, Inovação e Qualificação, para reconhecer a oportunidade de aumentar a produção de têxteis e moda no Reino Unido», explicou Lorna Fitzsimons, fundadora e diretora do Textiles Growth Programme, citada pelo just-style.com. «Isso lançou-nos numa viagem que levou ao estudo mais abrangente em décadas sobre a oferta e a procura por moda e têxteis do Reino Unido. Há ainda mais a fazer, mas esta é uma história de sucesso que ninguém esperava. Conseguir crescer inicialmente para uma micro cadeia de aprovisionamento praticamente sem grandes produtores no Reino Unido foi algo que nenhum economista achou que fosse possível. Com 86% das produtoras de têxteis e vestuário a serem micro e 94% a serem PMEs, este é um projeto de viragem que é essencial para o futuro da política industrial e de crescimento inclusivo», acrescentou.

Tendo em conta o sucesso do programa, a Innovate UK reclassificou o sector como uma indústria de «elevado valor», desbloqueando potenciais fontes de financiamento para as empresas britânicas de têxteis e vestuário do Governo Central e entidades internacionais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Vince Cable afirmou no evento que «achava-se que a indústria têxtil estava extinta no Reino Unido, mas alguns empresários extraordinários, usando nova tecnologia e com a modesta ajuda governamental sob a coligação de estratégia industrial, deram a volta às coisas. O reshoring é real e está a crescer».

Carol Kane, CEO da retalhista britânica de moda online Boohoo.com, revelou que a empresa aprovisiona mais de 50% dos seus produtos no Reino Unido. «Não apenas estamos satisfeitos por apoiar a indústria britânica de produção de têxteis e a criação de oportunidades de emprego para os trabalhadores no Reino Unido, como ter os nossos fornecedores perto é também uma parte crucial do nosso modelo de negócio. Somos um negócio de fast fashion com um foco na chegada rápida ao mercado, por isso ser capaz de produzir os nossos próprios produtos no Reino Unido permite-nos liderar em termos de oferta das mais recentes tendências e estilos».