Irmãos Rodrigues reforça oferta

Na segunda vez na Première Vision, depois da estreia em 2019, a Irmãos Rodrigues realçou o know-how e abrangência da sua oferta, focando a sua capacidade de confecionar peças complexas em malha, mas também em tecido.

Helder Rodrigues

«Queremos mostrar a nossa capacidade de fazer produto cada vez mais complexo», afirma Helder Rodrigues, administrador delegado da Irmãos Rodrigues. Para isso, a empresa tem como trunfos um conjunto de novidades «em termos de materiais, acessórios e técnicas», refere Michelle Prieto Rodrigues, coordenadora do departamento de design e do departamento comercial da empresa. «Vamos apresentar um pouco de tudo o que podemos oferecer aos clientes, do nosso know-how de quase 37 anos de experiência, tudo o que conseguimos fazer para ajudar no processo de desenvolvimento e produção, desde o design», sublinha.

Michelle Prieto Rodrigues

Em linha com o mercado, a sustentabilidade estará igualmente em destaque. «Estamos sempre a pesquisar tudo o que possa ajudar no ambiente, no processo de desenvolvimento, seja no tingimento, seja nas lavagens, no acabamento das malhas. Também já temos malhas com composições bastante ecológicas, feitas, por exemplo, de banana, de café, de cortiça. Há igualmente uma grande pesquisa em termos dos acabamentos, tudo o que seja menos agressivo para o ambiente», enumera Michelle Prieto Rodrigues.

A ideia é conquistar clientes «que não estão aqui pelo preço, mas pelo serviço e pela capacidade de fazer coisas que, por vezes, não vou dizer que são impossíveis, mas andam lá próximo. E, obviamente, peças com um valor acrescentado muito alto», aponta Helder Rodrigues.

António Silva
Ana Duarte

Este segmento-alvo tem alterado as quantidades mínimas da empresa, que emprega cerca de 115 pessoas. «As quantidades não são aquelas que eram há uns anos, mas é o cliente que, hoje em dia, achamos que faz sentido para a empresa. São marcas de gama alta, algumas já se pode dizer que são de luxo», refere o administrador delegado.

A presença em Paris vai permitir chegar a diferentes mercados, incluindo ao francês, acredita António Silva. «Acho que temos os ingredientes todos reunidos, desde o know-how, que é fundamental, ao serviço e qualidade. E somos versáteis, conseguimos adaptarmo-nos facilmente às exigências de qualquer cliente, sabendo que já temos por adquirido, diria eu, um patamar de qualidade bastante elevado. Tudo isso permite-nos trabalhar com marcas de renome», afirma o comercial.

«Há uma oportunidade de expansão para os mercados da América do Norte – EUA e Canadá – e também para os países nórdicos», acrescenta a comercial Ana Duarte.

A empresa quer reforçar a ideia junto de atuais e potenciais clientes de que pode produzir qualquer tipo de artigo. «Queremos diversificar o produto no sentido de não ser só malhas circulares. Já há muitos anos que fazemos misturas de malhas circulares com tecidos, mas estamos a apostar mais no vestuário em tecido. Temos capacidade para entregar e temos vindo a crescer aí, mas queremos investir mais nisso», explica Helder Rodrigues. «Temos também alguma ambição a longo prazo nos tricots. Estamos a fazer algumas experiências», desvenda o administrador delegado.

Os investimentos mais recentes da Irmãos Rodrigues têm estado concentrados na instalação de painéis fotovoltaicos para suprir as necessidades de eletricidade – tendo atualmente 400 painéis, equivalentes a uma potência instalada de 140 kW, que «num dia de inverno, estando o céu descoberto, excede as nossas necessidades», indica Helder Rodrigues – e na renovação das instalações, incluindo do showroom. «Fizemos uma ala nova, que tem um aspeto mais arrumado, para ter uma imagem que vá ao encontro dos clientes que queremos captar. E agora estamos a remodelar partes sequenciais», para manter a unidade produtiva a funcionar, justifica o administrador delegado.

Em relação ao negócio no ano passado, Helder Rodrigues explica que «nos primeiros quatro meses tivemos uma quebra muito grande. Depois, a meio do ano, conseguimos recuperar parte e o ano foi-se compondo. Não foi um ano mau, mas houve uma quebra de 20% [para cerca de 13,4 milhões de euros]».

Já este ano, «a conjuntura internacional está muito instável e há mercados que resistem, outros que não, outros que podem crescer. Temos de diversificar ao máximo e ir tentando ver onde é que estão as oportunidades», acredita Ana Duarte.

«A expectativa é de melhoria», assume Helder Rodrigues. «Temos alguns clientes com quem temos vindo a crescer e estamos a contar continuar a crescer. Temos também clientes novos e a perspetiva é de que venham a atingir já alguma expressão neste primeiro ano», resume o administrador delegado da Irmãos Rodrigues.