Investir na moda

Os criadores americanos, já com um certo estatuto de estrelas maiores da moda, como Ralph Lauren, Donna Karan ou Calvin Klein, há muito que eclipsaram os seus conterrâneos menos conhecidos junto dos investidores de Wall Street. É para junto de Ralph, Donna ou Calvin que todos os banqueiros e os fundos de investimento com as carteiras cheias de dólares se precipitam. «Há muita liquidez no mercado, muito capital em caixa que está à porta das grandes casas de alta-costura», refere Mortimer Singer, um banqueiro especialista em moda, da sociedade de consultores Marvin Traub Associates. «Os grandes fundos interessam-se pelos grandes negócios da moda», explica. E ignoram as outras griffes, algumas conhecidas mas menos sonantes, que procuram somas mais modestas, entre os 5 e os 10 milhões de dólares. Este Verão, no entanto, as marcas mais pequenas encontraram, finalmente, interessados. Os fundos Permira, novos proprietários do Valentino Fashion Group, compraram 45% do capital da americana Proenza Schouler. A nova-iorquina Betsey Johnson entendeu-se com os representantes do fundo Castanea Partners. Marvin Traub, Mortimer Singer e Aslaug Magnusdottir, reunidos no seio da Tsm Capital, investiram à volta de 22% no inglês Matthew Williamson, um habitué da semana de moda de Nova Iorque. E, por fim, a Nrdc Equity Partners tomou o controlo da Peter Som por mais de sete milhões de euros. Porquê este súbito interesse? Os novos investidores, prontos a arriscar na juventude de Matthew Williamson ou na brilhante Betsey Johnson, pouco conhecida no estrangeiro, têm todos um ponto em comum: conhecem bem o mercado americano da moda. Marvin Traub há muito que é proprietário dos grandes armazéns Bloomingdale’s. E assim que, mais tarde, fundou a Marvin Traub Associates, aprofundou ainda mais os seus conhecimentos do mercado na América e no estrangeiro. O fundo Nrdc, por seu lado, é proprietário da cadeia de lojas Lord & Taylor. Aconselhar para crescer Robert Smith, um dos fundadores do fundo Castanea Partners (425 milhões de euros), tem observado o percurso de Betsey Johnson. «Vimo-la, ao longo dos últimos três anos, desenvolver a sua nova estratégia de crescimento de lojas próprias e de alargamento do seu portfólio de licenças», explica. «Assistimos ao seu sucesso e queremos ajudá-la a construir as etapas seguintes». Robert Smith admite-o imediatamente: não está interessado nos novos valores. O seu ponto forte é a sua experiência na condução de grandes negócios. Deste modo, procura para os seus fundos pequenas e médias empresas «estabelecidas, com um sólido volume de negócios, gerador de um fluxo de dinheiro», desejosas de ir mais longe e de crescer. «Sabemos que as pequenas casas de moda são, em geral, mal servidas pelos investidores», explica por seu lado Mortimer Singer. «Mas somos investidores inteligentes, temos o conhecimento estratégico para as ajudar». Os representantes da Castanea Partners assim como os da Tsm Capital comprometem-se sempre a longo prazo. Se for necessário, permanecerão 8 ou 10 anos no capital das empresas. E mostram-se activos: participam no conselho de administração e admitem francamente a sua vontade de «ajudar» e de «guiar» os criadores. «Muitas destas sociedades começam com jovens criadores cheios de talento. Têm uma sólida equipa à sua volta e todos se concentram na produção da próxima colecção. Mas quando depois têm de compreender os clientes do Japão, da China, da Turquia ou ainda da Grécia, as coisas mudam», explica Mortimer Singer. Em seguida, têm de decidir se devem ou não multiplicar as licenças ou abrir mais lojas próprias…E é aqui que os investidores têm o grande papel de os aconselhar. Richard Baker, CEO da Nrdc Equity Partners, diz-se interessado na eventual abertura de lojas Peter Som. As estratégias da Tsm Capital apreciam em Matthew Williamson a sua capacidade de «derrubar fronteiras». É conhecido em vários países e os seus produtos são diversificados. «Tem uma ou duas contas em 43 países. Nós vamos tentar alargar esse potencial», sublinha Mortimer Singer. Da mesma forma, os representantes da Castanea Partners querem, para já, expandir a rede de boutiques Betsey Johnson na América. Depois, a longo prazo, esperam passar a fronteira.