Investimento em materiais alternativos aumentou

Após um declínio acentuado em 2022, o investimento em empresas de matérias-primas sustentáveis, como peles à base de plantas e sedas e lãs produzidas por bioengenharia, cresceu quase 10% no ano passado.

[©Stella McCartney x Bolt Threads]

Start-ups que desenvolvem novos materiais sustentáveis, como couros, sedas e peles à base de plantas ou cultivados em laboratório, arrecadaram 500 milhões de dólares em 2023, um aumento de quase 10% em relação ao ano anterior, de acordo com um relatório do think tank Material Innovation Initiative publicado na passada terça-feira, 27 de fevereiro.

Os investidores canalizaram mais dinheiro para o sector, apesar de uma queda generalizada que viu o financiamento de capital de risco cair 42% e o número de negócios diminuir 30%, de acordo com a CB Insights.

Ainda assim, o fluxo de fundos para materiais de próxima geração permanece bem longe do máximo recorde de 1,1 mil milhões de dólares alcançado em 2021 e a indústria foi abalada por uma série colapsos de grande visibilidade nos últimos 12 meses. A Bolt Threads, por exemplo, anunciou a interrupção da produção da pele artificial à base de cogumelos durante o verão, depois de ter tido dificuldade em arrecadar novos fundos, enquanto a empresa sueca de reciclagem Renewcell entrou com pedido de insolvência já esta semana.

A mudança na indústria atenuou o entusiasmo em torno da inovação nos materiais, mas espera-se que a nova legislação aumente a pressão sobre as marcas para operarem de forma mais sustentável.

Ainda assim, o relatório da Material Innovation Initiative lista 137 empresas nesta área, 88 das quais dedicadas à produção de peles artificiais, e revela que, desde 2014, foram investidos 3 mil milhões de dólares na indústria de materiais de nova geração.

«Haverá alguns solavancos, buracos e até alguns acidentes e queimaduras. Estes não são sinais do fim dos tempos, mas sinais de uma indústria que está a amadurecer», acredita Sydney Gladman, consultora da Material Innovation Initiative.

«Uma coisa a favor dos materiais de nova geração, no meio de uma retração económica, é que os compradores que criam a maior parte da procura são marcas de topo na indústria, como a Nike, a Ikea e a Volvo, que compram milhares de toneladas de matérias-primas por ano. E o que impulsiona a sua procura por materiais de nova geração em vez dos convencionais é sobretudo a pressão (de consumidores e da legislação) para fazerem progressos na sustentabilidade e diminuírem a sua pegada ambiental», resume Elaine Siu, também consultora da Material Innovation Initiative.