![Corantes_24setembro2026_Jothika Jeyabalan, Ajithkumar Veluchamy e Selvaraju Narayanasamy[©Indian Institute of Technology Guwahati]](https://portugaltextil.com/wp-content/uploads/2026/09/Corantes_24setembro2026_Jothika-Jeyabalan-Ajithkumar-Veluchamy-e-Selvaraju-Narayanasamy©Indian-Institute-of-Technology-Guwahati-696x464.jpg)
Publicado na revista Environmental Geochemistry and Health, o estudo, intitulado “Composite desirability-based multi-objective optimization of textile-dye biodegradation by novel Brevundimonas sp. AJZ05: mechanistic and phytotoxicity insights”, apresenta um método biológico para o tratamento de efluentes têxteis que contêm corantes azóicos, baseado na bactéria Brevundimonas sp. AJZ05.
Em condições otimizadas, a abordagem permitiu degradar 98,5% do corante sintético Direct Blue-6, cuja estrutura química estável dificulta a remoção através de processos convencionais. Os produtos resultantes da degradação foram considerados não tóxicos após o tratamento bacteriano.
Para desenvolver a abordagem biológica, os investigadores do Indian Institute of Technology Guwahati isolaram a bactéria a partir de um local de descarga de efluentes têxteis. A Brevundimonas sp. AJZ05 revelou capacidade para produzir azoredutase, uma enzima que atua sobre a ligação química entre os átomos de azoto dos corantes.
«Uma característica fundamental do estudo é que fomos além da medição da remoção da cor. A nossa equipa de investigação analisou os metabolitos formados durante o processo de biodegradação e avaliou a sua toxicidade. Os produtos de degradação foram considerados não tóxicos após o tratamento bacteriano, indicando que o processo pode potencialmente transformar o corante em compostos mais seguros, em vez de fazer apenas com que a água contaminada pareça visualmente mais limpa», afirma Selvaraju Narayanasamy, professor associado do Indian Institute of Technology Guwahati e coautor do estudo.
A bactéria demonstrou também tolerância a vários iões metálicos, uma característica que os investigadores consideram relevante para o tratamento de efluentes industriais que podem conter diferentes contaminantes. Esta característica poderá ajudar, de acordo com a equipa, o sistema microbiano a funcionar em condições mais próximas das encontradas em efluentes industriais reais.
Entre as aplicações potenciais identificadas pelos investigadores estão o tratamento de efluentes têxteis com corantes azóicos persistentes, a degradação biológica de corantes em produtos mais simples e menos tóxicos, a redução da dependência de processos de tratamento com utilização intensiva de químicos e dos poluentes secundários associados, a aplicação da estratégia de degradação mediada por azoredutase a outros efluentes industriais e o desenvolvimento de sistemas microbianos de tratamento contínuo para aplicações industriais.
A equipa está atualmente a trabalhar na passagem dos resultados obtidos à escala laboratorial para uma tecnologia de tratamento de águas residuais escalável. «Estamos agora a passar os resultados obtidos à escala laboratorial numa tecnologia de tratamento de águas residuais prática e escalável. O próximo passo envolve a imobilização da Brevundimonas sp. AJZ05 numa matriz de suporte adequada para melhorar a sua estabilidade, desempenho operacional e reutilização. Planeamos desenvolver um sistema de tratamento contínuo para a remoção de corantes azóicos de efluentes têxteis, com o objetivo a longo prazo de avançar com a plataforma microbiana para uma aplicação industrial», acrescenta Selvaraju Narayanasamy.










