Investigadores desenvolvem fibra de tomate

No âmbito do projeto Smartwaste, financiado pela UE, investigadores da Turquia, Alemanha, Itália, Países Baixos e Polónia estão a criar fibras a partir de caules de tomateiro e não-tecidos feitos a partir de sementes de choupo.

[©Pixabay-Monika]

Ozgur Ataly e Alper Gurarslan, da Universidade Técnica de Istambul, lideram a investigação para transformar os caules abandonados nos campos em fibras sustentáveis, ao mesmo tempo que procuram usar o mesmo resíduo agrícola em fios capazes de monitorizar batimentos cardíacos, frequência respiratória e movimentos articulares.

A pesquisa está inserida no projeto Smartwaste, com duração de quatro anos e previsto terminar em 2026, contando também com instituições académicas e de investigação da Alemanha, Itália, Países Baixos e Polónia.

«A beleza do projeto é que começa com resíduos», aponta Ozgur Ataly à revista Horizon. «Estamos a recolher resíduos agrícolas e não apenas a criar têxteis normais, mas a criar algo muito mais valioso», acrescenta.

Embora não haja ainda estimativas de custos, que serão calculados mais tarde quando os designers começarem a trabalhar na criação de produtos reais, o investigador assume que o vestuário inteligente deverá ser bastante mais dispendioso do que a roupa comum, com uma camisa inteligente a poder custar 1.000 euros, indica Ozgur Ataly.

O material especializado, a produção limitada e a pesquisa e desenvolvimento necessários para criar tecnologias vestíveis que sejam duráveis, laváveis ​​e confortáveis fazem subir o preço. Contudo, os avanços na tecnologia deverão eventualmente levar a custos de produção mais baixos, o que se refletirá no preço ao consumidor.

A segunda vertente do projeto foi inspirada na zona rural da Turquia. Os abundantes choupos da Turquia e – mais especificamente – as suas sementes brancas e fofas, semelhantes ao algodão, levaram Alper Gurarslan a investigar se poderiam ser uma fonte sustentável para a indústria têxtil.

Embora as suas fibras tenham sido consideradas demasiado curtas para fazer um fio, as sementes têm três propriedades específicas atrativas para a indústria: uma estrutura oca, semelhante a um tubo, que pode reter o calor para proporcionar qualidades térmicas, natureza antibacteriana e resistência à água.

A rede de especialistas do Smartwaste misturou as sementes com poliéster reciclado para fazer um não-tecido que a equipa pretende transformar em produtos têxteis com melhores propriedades térmicas.

Os investigadores esperam que este seja apenas o início de uma transformação abrangente dos têxteis. «O nosso objetivo é formar a próxima geração de investigadores e inovadores em têxteis sustentáveis», resume Ozgur Atalay.