Investigadores criam malha que muda de cor

Uma equipa de investigadores do Laboratory for Artificial Intelligence in Design (AiDLab), com sede em Hong Kong, desenvolveu uma nova tecnologia têxtil baseada em inteligência artificial que pode ser usada para alterar a cor das peças de vestuário.

[©AiDLab]

A malha, que foi tricotada com uma mistura de fios têxteis e fibras óticas poliméricas (POFs na sigla em inglês), pode ser iluminada em uma variedade de cores diferentes e, de acordo com a equipa de investigadores, pode potencialmente reduzir o desperdício de vestuário, uma vez que dá aos consumidores mais opções de cores numa única peça.

Para mudar de cor, é necessário apenas um gesto, que é feito para uma câmara em miniatura e sofisticados algoritmos de inteligência artificial que reconhecem sinais manuais específicos. Um sinal mais pode fazer com que a malha fique azul, um sinal de coração pode fazer com que mude para rosa e um gesto de OK indica um verde. Além dos gestos físicos, as preferências de cores podem ser personalizadas através de uma aplicação móvel.

«Vivemos numa sociedade tão fluida atualmente, que devemos ter produtos que se adaptem às nossas necessidades, em vez de sermos nós a adaptarmo-nos às necessidades do produto», considera Jeanne Tan, professora na Escola de Moda e Têxteis da Universidade Politécnica de Hong Kong, que liderou a equipa de investigação.

[©AiDLab]
«O nosso sistema pode ser usado em qualquer sítio e mesmo assim vai funcionar na perfeição e dar um feedback imediato», acrescenta, num vídeo publicado no site do AiDLab.

Jeanne Tan sublinha que a malha pode ser produzida em teares convencionais de malha retilínea, pelo que «há uma oportunidade para a produção e adoção em massa». Além disso, aponta, as fibras óticas poliméricas são feitas de polimetilmetacrilato, conhecido vulgarmente por acrílico, que é reciclável, e a estrutura da malha permite uma separação fácil das fibras óticas dos fios para reciclagem.

O resultado é ainda um têxtil macio. «A sensação ao toque é como qualquer malha comum», indica.

O AiDLab espera que um dia a tecnologia seja comercializada, apontando como principais aplicações a moda, a decoração de interiores, mas também a reabilitação.