Investida asiática aos saldos do luxo parisiense

Os estrangeiros, sobretudo asiáticos, acorreram em catadupas aos saldos dos produtos de luxo em Paris, alguns aproveitando ofertas do género “hotéis mais baratos, visita de monumentos e compras”. «Viemos aos saldos em viagem de grupo. Somos 10, alojados num hotel a 18 km de Paris, mas nem sei onde fica exactamente», explica no seu inglês macarrónico o chinês Liu Xin Chun, antes de desaparecer com o seu grupo numa das escadas rolantes do Printemps Haussman. Equilibrando com alguma dificuldade vários embrulhos Chanel, Armani e Gucci, Khzue veio expressamente do Japão para os saldos, algo que aliás faz todos os anos. «Permanecemos 5 dias em Paris só para os saldos», precisa antes de partir em grande sprint pelos corredores das Galerias Lafayette, concorrente e vizinha do Printemps Haussman. «A percentagem de estrangeiros representa 25% no ano e observamos uma progressão da clientela estrangeira superior a 10% durante os saldos», regozija-se Caroline Vezolles, responsável da clientela internacional no Printemps, cujo andar reservado às grandes marcas não descongestionou desde o início dos saldos no passado dia 11 de Janeiro. «No imaginário público, os saldos são sobretudo Londres, mas Paris adquire um protagonismo crescente neste âmbito, explica o responsável da Agência de Turismo de Paris. Mais globalmente, Olivier Ponti, responsável do observatório económico do turismo parisiense, sustenta que «as compras fazem parte da experiência parisiense». Ponti sublinha que as compras representam, englobando todos os períodos, uma parte importante das despesas dos turistas. Os japoneses detêm o primeiro lugar com uma média de 85,60 euros por dia e por pessoa, seguem-se os chineses com cerca de 80 euros por dia e depois os ingleses com 57,40 euros. Os japoneses e os chineses buscam principalmente produtos de luxo e em particular a marroquinaria, com um produto estrela: as carteiras, cujo preço na Ásia é, em média, 5 vezes superior. A obsessão é tal que foi publicada uma lei francesa a proibir a venda de mais de 10 artigos similares a um mesmo cliente estrangeiro.