Inovafil fia com seda portuguesa

A empresa está a integrar fibras de seda produzidas no Norte do país nos seus artigos, um dos quais foi selecionado para os iTechStyle Awards. A oferta faz parte da estratégia de inovação e diversificação da Inovafil.

Rui Martins

O primeiro contacto com esta seda “made in Portugal” surgiu por parte de um produtor português, revela Rui Martins, CEO da Inovafil, ao Portugal Têxtil. «Viemos a descobrir que, aqui no Norte de Portugal, temos uma tradição de produção de seda, algo que desconhecíamos. E esse contacto obviamente que despertou o nosso interesse», assume.

A produção nacional de seda está ainda voltada para outras indústrias que não a têxtil, mas «como somos utilizadores de fibra cortada e não fibra em filamento, decidimos fazer umas primeiras experiências utilizando a seda já com os casulos destruídos, a chamada seda da paz, em que o animal sobrevive ao processo», destaca o CEO. «No fundo, ficamos com os casulos depois de estarem perfurados e da saída do bicho-da-seda, já borboleta. Fizemos uma parceria com o CITEVE para fibrilar estes casulos e agora estamos a usar a seda, obviamente numa percentagem baixa, também porque não conseguiremos fazer percentagens muito altas de seda, em combinação com algodão orgânico», explica Rui Martins.

Os primeiros artigos foram já apresentados a algumas marcas, «que, claramente, mostraram muito interesse», indica o CEO. «O próximo passo será fazer a prova de conceito e falar com algumas marcas de topo, com alguns estilistas que bebem muito deste conceito de sustentabilidade e respeito pelos animais, para poder posicionar o produto e dar-lhe visibilidade para que possa haver maior investimento», aponta.

Os produtos resultantes – um dos quais, batizado Terramori, produzido com 90% algodão orgânico e 10% de seda portuguesa, que foi selecionado para os iTechStyle Awards – têm vantagens que podem alavancar a própria indústria da seda no país. «Podemos regressar à produção da seda, ter produção nacional e não perder o know-how. Se for dinamizado e apoiado, há interesse das pessoas que estão no projeto [de produção de seda portuguesa] em investir e aumentar a capacidade produtiva e, aí, podemos escalar o produto», acredita Rui Martins.

A diversidade da oferta da Inovafil tem escudado, de alguma forma, a empresa de fiação das dificuldades do mercado, que ainda assim se fazem sentir no negócio. «O arrefecimento é geral, nota-se claramente um abrandamento da procura. Nos primeiros três/quatro meses do ano, no nosso caso, notámos mais significativamente, depois houve uma recuperação. O mercado continua em baixa, mas, no caso específico da Inovafil, porque tem uma diversidade muito grande de produtos e mercados, não tem corrido mal», justifica o CEO.

O objetivo neste momento é «no mínimo manter e tentar superar» o volume de negócios do ano passado, que rondou os 12 milhões de euros em produto fabricado. «Ainda estamos com essa esperança», confessa Rui Martins.

No entanto, «estamos claramente preocupados com o futuro a curto/médio prazo devido a esta crise inflacionista que está a tirar poder de compra às famílias. Isso, inevitavelmente, afeta o negócio. Mas vamos seguir a nossa estratégia de inovação e de diferenciação de produtos e mercados», conclui.