Inovação nas PME – Inovar é a porta de entrada para o sucesso

O Diário Económico abordou a inovação nas PME portuguesas num artigo publicado recentemente. O artigo apresenta o panorama geral das actividades inovadoras em Portugal, com base na análise realizada pelo Eurostat, servindo ainda para divulgar os programas e os incentivos existentes ao nível comunitário e nacional para apoiar a inovação nas PMEs. Entre os programas de apoio à inovação, o artigo destaca o Programa NITEC da Agência de Inovação (AdI).

A inovação em Portugal

Em Portugal como no mundo as pequenas e médias empresas (PME) dominam em número e em emprego. Em território nacional 99,9% das empresas são PME, das quais 83,1% são micro, 14,4% pequenas e 2,4% médias. Estas empresas dão trabalho a cerca de 75% dos portugueses. Em 2001, quase metade das PME (49,8%) se situavam nos distritos de Lisboa e Porto, sendo responsáveis por 53,5% do emprego bem como por 61,6% do volume de negócios. Ainda assim, a mão-de-obra não chega para a inovação.

Em Maio do ano passado, o Eurostat publicou um relatório intitulado “Innovation in Europe – Results for the UE, Iceland and Norway”, onde dava conta da actividade de inovação nas empresas europeias, tendo por base os resultados do terceiro inquérito comunitário sobre a inovação na União Europeia a quinze, na Noruega e na Islândia. Em Portugal, as empresas apresentam, em matéria de inovação, uma posição razoável embora, «na sua maioria não consigam acompanhar a Europa, neste capítulo», afirma António Teixeira da Agência de Inovação (AdI).

Em termos globais, o relatório indica que 44% das empresas levaram a cabo uma actividade inovadora, tendo esta, na maioria dos casos, sido realizada com sucesso. Em Portugal, foram 46% as empresas com projectos inovadores, superior aos registados pela Grécia (28%); Espanha (33%); Noruega, Itália e Reino Unido (36%); França (41%); Dinamarca (44%), Holanda e Finlândia (45%). A Irlanda, a Alemanha, a Islândia e a Bélgica surgem como os países cujas empresas apresentaram mais actividades criativas, 65%, 61%, 55% e 50%, respectivamente.

«A inovação está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento económico das nações. Existem, no entanto, boas empresas portuguesas a acompanhar esse desenvolvimento. São é poucas. Precisamos de aumentar este número fazendo com que as empresas que inovam, inovem ainda mais e as que não inovam passem a inovar», adianta António Teixeira.

As grandes dificuldades impostas ao processo de inovação são, na opinião de António Teixeira, o «medo de falhar», a dificuldade em lidar com o risco, bem como as dificuldades de financiamento dos projectos. «Parte das instituições financeiras ainda não perceberam o potencial dos novos modelos de negócio que tem vindo a desprezar» e, por outro lado «o enquadramento fiscal nacional não incentiva a assunção de risco por parte das empresas em projectos de I&D», acrescenta.

Apesar da pouca motivação que ainda se continua a constatar, os sectores mais inovadores na indústria são o das metalúrgicas de base e produtos metálicos, além do fabrico de máquinas e equipamentos. No que diz respeito aos serviços, as mais criativas são as empresas de tecnologia de informação e os serviços de engenharia. Pelo menos, no caso dos NITECs.

O sector privado é o que mais aposta na inovação em Portugal, adianta a AdI. Ainda assim, de acordo com o relatório anual do conselho superior de ciência tecnologia e inovação, as empresas portuguesas investem um quarto dos valores do Reino Unido, metade dos valores de Espanha e Irlanda, cerca de 20% da média comunitária e 12% dos valores registados nos EUA e no Japão.

Programas e incentivos

À semelhança do que sucede em Portugal, também em outros Estados-membros a aposta na inovação é diminuta e o espírito empresarial fraco. Para inverter esse cenário, e face ao potencial das PME para ajudar a reduzir o défice de produtividade da Europa em relação aos EUA, foi definida na União Europeia (UE) uma política empresarial com programas de apoio e incentivos baseados no princípio «pensar primeiro em pequena escala».

Desde 2001 que a UE, no âmbito do Plano de Acção para o Espírito Empresarial, tem investido cerca de 90 milhões de euros, por ano, em projectos orientados para as PME dos seus Estados-membros e ainda de países como a Bulgária, a Roménia e a Turquia. Além disso, estabeleceram outros programas de apoio como o Programa Plurianual para a Empresa e o Espírito Empresarial. O objectivo é reforçar a competitividade das empresas, simplificar o enquadramento legislativo, administrativo e financeiro e facilitar o acesso aos serviços de apoio e programas comunitários. Para tal, conta com um orçamento de 450 milhões de euros.

Em 2002, Portugal destinava 0,83% do PIB em ajudas estatais, contra uma média europeia de 0,56%. Agora, o Executivo socialista prevê gastar dez milhões de euros no programa Inov-Jovem “Jovens Quadros para a Inovação nas PME”, de maneira a integrar mil jovens com menos de 35 anos nas áreas de gestão, engenharia, ciência e tecnologia. Para o PRIME, o Executivo destina 4.691 milhões de euros, dos quais 1.500 milhões são do erário público e 500 milhões de capitais de risco.

Esta resolução pode beneficiar as PME e está, ao mesmo tempo, integrada no Plano Tecnológico do Programa do Governo sendo que vem combater, por um lado, o desemprego e, por outro, facilitar a criação de empresas tornando-as mais competitivas.

Outro dos programas em vigor até ao final de 2006 é o Prime (Programa de Incentivos à Modernização da Economia) que oferece diversas iniciativas de apoio às PME, consoante os projectos apresentados. Entre eles está o NITEC, «único em Portugal a apoiar a I&D empresarial», adianta António Teixeira. Para que uma empresa se candidate a este programa, tem de «colocar a inovação e investimento na I&D como uma acção prioritária na sua evolução como empresa», garante o responsável da AdI.

«É necessário reunir as condições humanas, tecnológicas e financeiras e desenvolver mecanismos que possam dar a aptidão técnica e gestão suficiente para a empresa conseguir aproveitar com benefícios económicos os resultados alcançados pela sua nova equipa de I+D+i (Investigação + Desenvolvimento +Inovação).O objectivo é que os efeitos do NITEC não se esgotem no início, mas que se sintam como uma onda de choque durante muitos anos na produtividade e competitividade das empresas», conclui a mesma fonte.

O Programa NITEC

O NITEC, Núcleos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico no Sector Empresarial, constitui um elemento catalisador da estratégia da Agência de Inovação (AdI), empresa de capitais públicos criada em 1993, que pretende promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico, facilitando o aprofundamento das relações entre o mundo da investigação e o tecido empresarial português.

O programa da AdI visa apoiar projectos que valorizem o reforço da produtividade, competitividade e inserção no mercado global através da criação de núcleos empresariais de investigação e desenvolvimento tecnológico, constituídos por equipas no máximo de três pessoas, que conduzam à introdução ou melhoria de produtos, processos e sistemas, com incorporação tecnológica efectiva.

A implementação do modelo do NITEC subentende, então, a criação de uma unidade organizacional que encare a inovação e o esforço na I&D como uma meta prioritária, estando as candidaturas abertas a todas as empresas ligadas à indústria, à energia, ao comércio, à construção, ao turismo e aos serviços, e atingindo o financiamento um limite máximo de 200 mil euros.