Inovação em Portugal com atraso de 20 anos

No actual panorama, Portugal demoraria 20 anos a recuperar o atraso que tem na capacidade de gerar inovação, face aos países com maior produção de valor acrescentado, conforme foi noticiado pelo Jornal de Notícias. O alerta foi dado por João Picoito, membro da COTEC Portugal, na apresentação de um novo modelo de inovação que a associação empresarial quer aplicar no país, e que implicará a certificação das empresas mais inovadoras e a criação de um fundo para apoio aos melhores projectos.

A COTEC Portugal – Associação Empresarial para a Inovação, é uma associação empresarial cuja missão é «Promover o aumento da competitividade das empresas localizadas em Portugal, através do desenvolvimento e difusão de uma cultura e de uma prática de inovação, bem como do conhecimento residente no País». Criada em 2003, por iniciativa do presidente da República, Jorge Sampaio, a associação congrega 100 das principais empresas a operar em Portugal.

De acordo com João Picoito, uma recuperação mais rápida dos fracos indicadores portugueses deverá passar por caminhos semelhantes aos que Espanha e Singapura já percorreram, em matéria de certificação da gestão da inovação. Numa primeira fase, este projecto implicará a selecção de um conjunto limitado de empresas portuguesas, para depois alargar-se ao restante tecido empresarial. Os mesmos passos poderão vir a ser dados na criação de um ranking nacional das empresas com mais capacidade de inovar, outra medida preconizada pelo também presidente-executivo da Siemens Portugal.

A COTEC Portugal quer ainda criar um fundo para ajuda à inovação, alargando os apoios que a associação já tem para projectos numa fase embrionária. O objectivo, mais do que financiar a produção de novas ideias, é garantir que os novos projectos sobrevivam no mercado, mediante captação de investidores privados.

Com estas iniciativas, a COTEC Portugal pretende «estimular e apoiar o desenvolvimento de inovação de forma sistemática e sustentada, com vista ao reforço das vantagens competitivas numa economia globalizada», explicou João Picoito, prevendo que «dentro de um ano» o novo modelo de inovação poderá ver a luz do dia.