O mais recente relatório da empresa de estudos de mercado, designado Retail Viewpoint: US Retail Sales for May 2026, revela, de acordo com o Just Style, que, em termos de volume, as vendas de vestuário recuaram 0,5%, indicando que o crescimento em valor foi impulsionado sobretudo pela inflação e não por um aumento das quantidades adquiridas.
De acordo com a GlobalData, os consumidores estão a tornar-se mais seletivos nas suas compras de moda. «Estamos a assistir a um maior corte nas compras de artigos básicos, com os consumidores a optarem por alternativas mais económicas ou a adiarem compras para poupar dinheiro, ao mesmo tempo que se verifica uma modesta expansão nos produtos de maior valor acrescentado que os consumidores querem adquirir para se presentearem», indica o estudo, citado pelo Just Style.
Esta tendência surge numa altura em que o consumo discricionário começa a perder dinamismo, contribuindo para um abrandamento do crescimento em várias categorias, incluindo o vestuário e a restauração.
No conjunto do retalho norte-americano, as vendas aumentaram 5,2% em maio, acelerando face ao crescimento de 4,5% registado em abril e atingindo a taxa anual mais elevada em mais de um ano.
Contudo, a GlobalData alerta que grande parte desta evolução resulta do impacto da inflação. «À primeira vista, maio foi um excelente mês para as vendas a retalho. Infelizmente, grande parte deste crescimento foi impulsionada pela inflação, que está a exercer uma pressão cada vez maior sobre o retalho», salienta a empresa de estudos de mercado.
Os preços dos combustíveis tiveram um peso significativo nesta evolução. As vendas nas estações de serviço dispararam 25,4% em termos homólogos, registando o crescimento mais elevado desde o pico inflacionista do verão de 2022.
Em contrapartida, o volume das vendas no núcleo do retalho aumentou apenas 0,2% em maio, uma desaceleração significativa face ao crescimento de 1,2% observado em abril.
Esta quebra no crescimento dos volumes constitui, segundo a GlobalData, «um sinal de que os consumidores estão a tornar-se um pouco mais condicionados», tornando o ambiente competitivo mais exigente para os retalhistas.
O eventual fim do conflito com o Irão poderá contribuir para aliviar as pressões inflacionistas através da descida dos preços dos combustíveis. «Há um vislumbre de esperança de que a inflação abrande no final do ano, proporcionando algum alívio às famílias», refere o relatório.
Para os próximos meses, a GlobalData antecipa um contexto mais desafiante, com comparações homólogas mais exigentes em junho e julho e um agravamento da pressão sobre os orçamentos familiares. Ainda assim, não prevê uma deterioração acentuada do consumo, sublinhando que os consumidores continuam a dispor de margem para reduzir despesas em áreas não relacionadas com o retalho e que grandes eventos, como o verão desportivo e as celebrações do America 250, poderão impulsionar a procura.
Apesar desse apoio, a GlobalData adverte que «o segundo semestre poderá revelar-se um pouco mais desafiante em termos de geração de crescimento».



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