Indústria têxtil indiana aposta no desenvolvimento

Segundo o governo indiano, o acabamento de tecidos registou um crescimento muito significativo nos últimos quatro anos, subindo de 39.844 milhões de metros quadrados em 2001/02 (Abril até Março) para 43.498 milhões de metros quadrados no ano de 2004/05. Apesar de a Índia ter avançado nos últimos anos na área dos acabamentos de têxteis e vestuário, esse avanço ainda é diminuto comparativamente aos seus países vizinhos, como a China, Bangladesh e Sri Lanka. De acordo com os últimos números publicados pela OMC, a fatia da Índia no comércio mundial de têxteis de 2003 era de 4,8 por cento e no que diz respeito ao vestuário a quota era de 3,5 por cento. A Índia registou um declínio nas suas exportações, as quais em 2001/02 eram responsáveis por 24,6 por cento do total de exportações deste país, enquanto em 2004/05 a sua contribuição foi de apenas 16,2 por cento. Segundo os números até ao momento disponíveis, as exportações neste ano poderão recuperar. Nos cinco meses entre Abril e Agosto de 2005 foram exportados têxteis no valor total de 5,3 mil milhões de dólares, o que representa uma subida de 8,3 por cento comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Em 2004 as exportações têxteis indianas totalizaram 4,8 mil milhões de dólares. O crescimento mais significativo, 36 por cento, pertence às exportações de tecidos de lã atingindo 33 milhões de dólares. Contudo, as exportações de têxteis sintéticos sofreram uma queda acentuada, situando-se nos 698 milhões de dólares, valor equivalente a uma queda de 13 por cento. A produção de têxteis técnicos pode revelar-se o segundo pilar para a indústria têxtil indiana. Este sector tem registado uma grande procura, de acordo com um trabalho publicado pelo Fundo Monetário Internacional sobre a influência da liberalização do comércio no sector têxtil e de vestuário indiano. Com o objectivo de estimular a produção de têxteis técnicos o governo indiano está a considerar uma diminuição das tarifas alfandegárias sob algumas máquinas têxteis e fibras, segundo uma notícia do The Economic Times, Nova Deli. Com o alargamento da produção de têxteis técnicos a concorrência mundial vai acentuar-se, uma vez que também as empresas têxteis europeias reconhecem grande potencial neste segmento. Um dos maiores produtores mundiais de fio de algodão e malha, sedeado em Nova Deli, Ginni Filaments Ltd, construiu recentemente uma fábrica para a produção de têxteis técnicos com uma capacidade de 12.000 toneladas por ano. Actualmente a Índia tem uma procura anual destes têxteis de 20.000 toneladas, mas que está em constante crescimento, de acordo com as informações governamentais. O mercado mundial de têxteis técnicos está estimado em 60 mil milhões de dólares. O caminho deste novo segmento para a indústria têxtil indiana poderá ser dificultado pela ameaça de medidas anti-dumping contra as exportações de fibras cortadas de poliéster pela Comissão Europeia. Segundo dados da FTA (Foreign Trade Association) a Comissão está a dar seguimento a uma moção do Comité International de la Rayonne et des Fibres Synthétiques (CIRFS) que alega que os preços das exportações indianas para países como a China, Egipto, Indonésia, EUA, Síria e Filipinas foram muito reduzidos e que uma nova imposição do dumping nas importações originárias da Índia para a UE se avizinha como muito provável.