Indústria têxtil americana revela sinais positivos

A indústria têxtil norte-americana continua a intrigar os especialistas. Em vez de sucumbir, conforme foi previsto por diversas previsões, a actividade tem-se mantido a um nível bastante aceitável. Efectivamente existiu uma derrapagem na área dos têxteis básicos, fundamentalmente nos fios e tecidos,que tem sido contrariada pelos ganhos significativos que foram registados em produtos industriais que requerem uma produção mais complexa, como os artigos têxteis usados em forros e tapetes. De acordo com o divulgado pelo Textile World, o indicador principal prende-se com o valor total das encomendas da indústria norte-americana, o qual mantém-se sensivelmente no mesmo nível de há 12 meses atrás. O panorama assemelha-se muito para a produção da indústria têxtil, onde os valores totais aparentam manter-se relativamente inalterados. Este padrão têxtil relativamente estável deverá manter-se. Pelo menos é o que é sugerido no mais recente relatório do Institute for Supply Management. De acordo com a informação divulgada por esta associação, composta por executivos de alto nível, as encomendas e os pedidos em carteira de têxteis continuam a registar uma evolução positiva, assegurando assim uma produção relativamente sólida durante, pelo menos, os próximos meses. Para além do actual optimismo Muitas das notícias optimistas podem ser atribuídas a uma economia sólida, a qual ajudou a fomentar a procura por vestuário de origem doméstica e importado assim como outros produtos têxteis. Mas igualmente importante é a diversidade de medidas para o corte de custos, melhorias de qualidade e inovações dos produtos que ajudaram as empresas domésticas a manterem-se competitivas, fundamentalmente nos nichos de mercado em crescimento. Outro factor, o qual foi referido pelo Textile World há apenas alguns meses atrás, prende-se com o facto de que apesar das importações de têxteis e de vestuário com origem na China registarem uma subida muito significativa, uma grande parte dos ganhos foram à custa de outros produtores localizados no estrangeiro em vez de empresas domésticas. Efectivamente, estas fontes externas estão a demonstrar quebras significativas nas suas exportações para os Estados Unidos. Por conseguinte, as importações agregadas de têxteis e de vestuário dos EUA encontram-se a apenas 1% acima dos níveis registados no ano anterior, valor que se encontra bastante abaixo do aumento geral de 8% registado ao longo de 2005. Lucros também em alta As receitas domésticas também não registaram um desempenho preocupante. Os dados governamentais mais recentes sobre 2005 colocam o lucro total da indústria têxtil após impostos em cerca de 1,6 mil milhões de dólares, valor que se encontra bastante acima do nível de 0,9 mil milhões de dólares registado em 2004. Para além destes indicadores, o desempenho é relativamente o mesmo no que se refere às margens praticadas. Em termos concretos, verificou-se que os dados relativamente bons de 2005, de 3,2%, encontram uma comparação favorável em relação aos dados relativamente maus, na ordem dos 1,7%, registados em 2004. Estes dois indicadores da “saúde” das empresas têxteis estão ainda bastante acima do ponto mais baixo atingido há apenas alguns anos atrás. Caso nada aconteça em contrário, estes resultados confirmam que a indústria têxtil norte-americana não vai desaparecer em breve. No entanto, este desempenho não significa que alguma ligeira erosão não deverá ocorrer ao longo dos próximos anos. Mas, mesmo assim, este deslize não deverá ser catastrófico. De acordo com a previsão desenvolvida pela Global Insight (empresa de análise económica, financeira e política), é provável a existência de uma quebra ligeira em termos gerais nos lucro da indústria têxtil, mas o saldo positivo deverá manter-se solidamente ao longo do futuro mais próximo. Os analistas desta empresa acrescentam que o que é verdade para empresas têxteis vai também ser verdade para os produtores norte-americanos de vestuário. A contínua saga da China Entretanto, as actuais conversações entre os EUA e a China sugerem que alguns compromissos comerciais podem estar em vias de ocorrer. No entanto, nem todas as negociações vão ser centradas em torno dos actuais desequilíbrios comerciais dos EUA nos têxteis e no vestuário. Por conseguinte, as novas iniciativas da China para aumentar as compras dos EUA vão ajudar fundamentalmente outras áreas indústrias, como a aeronáutica, acessórios para automóveis, electrónica, equipamento para redes de computadores e agricultura. Por conseguinte, devem ter muito pouco ou nenhum impacto na actividade da indústria têxtil doméstica. No entanto, o que todas estas medidas poderão concretizar é o abrandamento do crescente défice comercial norte-americano com a China, o qual atingiu em 2005 o valor máximo de 200 mil milhões de dólares, um défice recorde de Washington com qualquer outro país. Outro possível progresso poderá surgir de outras áreas, incluindo o maior acesso ao mercado chinês e o maior rigor na aplicação dos direitos de propriedade intelectual por parte das autoridades de Pequim. Por outro lado, qualquer sucesso de Washington em conseguir que a China concretize uma actualização positiva da sua moeda deverá ser provavelmente muito limitado.