Indústria intensifica produção de materiais celulósicos

O mercado global de fibras celulósicas vai registar um crescimento nos próximos anos, com retalhistas como a H&M a aumentar a procura por alternativas regeneradas, enquanto a China se destaca ao iniciar a produção industrial em larga escala.

[©Sateri]

Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global de fibras de celulose deverá crescer de 42,66 mil milhões de dólares (aproximadamente 36,9 mil milhões de euros), previstos para 2026, para 61,37 mil milhões de dólares em 2034, com a Ásia-Pacífico a deter uma quota dominante de 43% em 2025. Neste contexto, a China ocupa uma posição central como o maior produtor e consumidor mundial de viscose, com fornecedores nacionais como a Sateri e o grupo estatal Xinjiang Zhongtai, indica o Just Style.

Reforçando a posição estratégica do país, Zhang Suojiang e a sua equipa da Academia Chinesa de Ciências, criaram a Shoucell, uma fibra de celulose regenerada que utiliza líquidos iónicos como solvente para dissolver polpa de celulose, evitando o dissulfureto de carbono e a soda cáustica, dois agentes responsáveis pela elevada pegada poluente da viscose convencional.

A produção em larga escala da Shoucell está a cargo da Xinxiang Bailu Investment, que opera uma unidade com capacidade para 1.000 toneladas por ano em Xinxiang, na província de Henan, desde o primeiro semestre de 2025. Além da elevada estabilidade térmica, a Academia Chinesa de Ciências destaca a reciclabilidade quase total do solvente, em linha com os requisitos industriais de produção em circuito fechado.

A expansão da China insere-se num movimento mais amplo da indústria celulósica global e a Shoucell enfrenta concorrência de empresas como a austríaca Lenzing, que investiu recentemente 100 milhões de euros na modernização da sua fábrica de viscose em Nanjing, convertendo-a para produzir as suas linhas de Tencel e EcoVero em circuito fechado. Já a Sateri, empresa de Xangai do conglomerado singapurense RGE Group, está a construir em Shandong uma unidade de liocel com capacidade para 600 mil toneladas anuais, com um investimento a rondar os 1,1 mil milhões de yuans (cerca de 138 milhões de euros).

O desenvolvimento da Shoucell segue também experiências internacionais, como a Ioncell, desenvolvida pela Universidade de Aalto, na Finlândia, considerada um precedente técnico relevante para o projeto chinês. A Ioncell utiliza líquidos iónicos e colabora com a Marimekko desde a sua fundação, ainda que continue a trabalhar na escalabilidade.

A procura global divide-se entre mercados desenvolvidos que privilegiam a sustentabilidade e qualidade, e economias emergentes à procura de alternativas acessíveis ao poliéster. Retalhistas como a H&M estão a acelerar a transição para fibras regeneradas e, em 2025, o grupo sueco assinou um acordo plurianual com a Circulose para garantir matéria-prima para a produção de celulose. «Este acordo vai ajudar-nos a substituir uma parte substancial da viscose virgem utilizada em todo o Grupo H&M», declara uma porta-voz da empresa, acrescentando que o grupo vai «explorar continuamente inovações que possam ajudá-lo a dissociar-se da utilização e extração de recursos».